ENTREVISTA COM O DR. JOSIEL LIMA: SENTIMENTOS
PÓS-DEFESA
Josiel dos Santos Lima
Nathalia Ribeiro e Fernandes
No post de
hoje do blog Sarau Literário temos uma entrevista com o Doutor em Teoria
Literária, Josiel Lima, que recém defendeu sua tese e vai contar um pouco para
nós como foi essa experiência. A entrevista foi concedida à doutoranda Nathalia
Ribeiro e Fernandes.
Josiel dos Santos Lima, doutor em Teoria Literária pela Uniandrade.
Crédito da imagem: Arquivo pessoal.
Nathalia:
Olá, Josiel. Obrigada por aceitar o convite. Para começar, fale um pouco de
você e da sua experiência em cursar um doutorado em área diferente da sua de
formação.
Josiel: No
começo do mestrado em Teoria Literária, demorei um tempo para me adaptar, pois
como sou graduado em história, não tinha conhecimento dos autores e termos
técnicos da literatura. Foi bom porque aprendi muita coisa nova, tive que ler
muitos livros para além dos que eram solicitados em sala, já que o que era de
conhecimento básico dos graduados em letras, era desconhecido para mim. Já no
doutorado, estava mais familiarizado e tudo o que li e estudei nas disciplinas
tentava associar à minha tese.
Nathalia: Ah, então sua formação é em História. No nosso programa temos pós-graduandos
de diversas áreas e isso enriquece muito o curso. Como surgiu a ideia do seu
projeto de pesquisa?
Josiel: Depois
do mestrado, me especializei em Contação de Histórias e Literatura Infantil.
Nesse tempo conheci os livros escritos durante o período da Ditadura Militar
pela autora de livros infantis Ruth Rocha. Achei muito interessante haver
livros infantis que criticavam o autoritarismo de forma leve e divertida. Então,
aqueles reizinhos mandões das histórias me chamaram a discutir sobre história e
literatura infantil, sobre literatura de protesto e sobre a recepção dessas
obras pelas crianças.
Nathalia: Que interessante! E sendo de outra área, qual a disciplina você
considera que mais ajudou na sua pesquisa? Por quê?
Josiel: Foram
duas. A disciplina de “Imagem e Literatura” ministrada pela professora Célia
Arns, que contribuiu para as análises das ilustrações, e a outra foi “Metodologia
da Pesquisa” com a professora Greicy Bellin, na qual conheci as ideias do
teórico H. U. Gumbrecht sobre Stimmung e Produção de Presença,
e que foram fundamentais na interpretação das obras infantis. Essas ideias me
ajudaram a entender sobre o potencial que a literatura infantil possui para
tocar os leitores e causarem diferentes estados de humor.
Nathalia: Então foi muito enriquecedor! No geral, como foi a experiência toda
de cursar um doutorado em Teoria Literária?
Josiel: Foi
muito positiva, gosto muito de literatura e li obras que talvez não fosse ler
por não conhecê-las. Faltou um contato mais próximo com os colegas e
professores por ter uma pandemia que impossibilitava as aulas presenciais. Por
outro lado, pude participar de importantes congressos de forma virtual. Também
apresentei um trabalho presencial em São Luís, talvez nunca viajasse para lá,
mas o desejo de conhecer outras regiões aliado à necessidade de produzir e
apresentar artigos possibilitou o estudo e o lazer. Também destaco as Oficinas
de Contação de Histórias, que ministrei nos 4 anos de curso. Elas ajudaram a
divulgar meu trabalho, a conhecer pessoas, interagir com colegas e professores,
e muito mais. Foi uma experiência fantástica que além de me trazer enorme
satisfação, me proporcionou uma bolsa de estudos da instituição.
Nathalia:
Bom, como você defendeu recentemente, conte-nos como foi essa experiência. Como
foi a ansiedade, a expectativa, a pós-defesa?
Josiel: A
ansiedade sempre existe, mas meu orientador, Otto Winck, sempre me deixou
tranquilo. Ele explicou tudo como iria acontecer, quem estaria na banca e o que
esperar. Além disso, seria on-line e isso me deixava seguro. Eu tinha
uma expectativa de que teria muita gente participando por ser virtual, mas o link
chegou para mim apenas 13 minutos antes do início. Não sei o motivo, mas
acho que a instituição deveria divulgar o link de acesso com mais
antecedência para que possamos nos organizar e chamar familiares, alunos,
professores e amigos para assistir. Não consegui avisar todo mundo, e nem meus
pais assistiram a defesa, fiquei chateado com isso. Depois que tudo passou, me
emocionei, fiquei muito feliz porque cheguei no lugar em que sempre sonhei.
Nathalia: E quais seus planos após entregar a versão final da tese?
Josiel: É
claro que a gente pensa em dar voos mais altos como um pós-doc ou
algum curso fora do país, mas no momento quero relaxar, pôr em prática o que
aprendi nesses anos, aplicar algumas ideias nas escolas públicas em que
leciono. Para este ano de 2024 quero aprender a tocar algum instrumento e me
aperfeiçoar no inglês. Depois volto para os estudos acadêmicos, entendo que
nossa formação é constante e devemos continuar a aprender sempre.
Nathalia:
Sim. Também acredito que precisamos colocar nossa pesquisa em prática, o que
nos faz aprender ainda mais. Muito obrigada pela disponibilidade e boa sorte
com os planos futuros.
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Josiel
dos Santos Lima é mestre e doutor em Teoria Literária pela UNIANDRADE e atua
como professor e contador de histórias.
Nathalia
Ribeiro e Fernandes é mestra e doutoranda em Teoria Literária pela UNIANDRADE e
bolsista PROSUP-CAPES. Atua como professora de Literatura.
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Nota de esclarecimento: Sobre o fato citado no texto, de que o link de acesso à sala virtual foi enviado tardiamente ao aluno, a coordenação informa que está ciente desse problema, que a direção da IES já foi informada sobre isso e que foi solicitado à assessoria pedagógica (setor responsável pela divulgação e pela documentação das bancas de mestrado e doutorado) que os envios sejam feitos com uma antecedência de 7 a 10 dias em relação à data da banca.