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quarta-feira, 30 de outubro de 2024

MEMÓRIA DO V ENCONTRO INTERNACIONAL DO MESTRADO E DO DOUTORADO EM TEORIA LITERÁRIA DA UNIANDRADE

 

Verônica Daniel Kobs

 

Dia 16 de outubro de 2024, primeiro dia do V Encontro Internacional, os trabalhos foram abertos com as palestras do professor e magnífico Reitor da Florida University of Science and Theology, Dr. Washington Martins, e de Geisiele Mazza Leite, da Escola Conquer. À tarde, a professora Priscila Festa, fez uma emocionante leitura dramática em Libras de um poema de Oswald de Andrade. Em seguida, a professora Raquel Illescas Bueno, da UFPR, falou sobre a vida e a obra de Oswald de Andrade e sobre as trocas entre Brasil e França. No período da noite, na seção Literatura em Revista, Raquel Rieira (UNICAMP), apresentou a obra de Samanta Schweblin. Depois disso, as palestras foram sobre Pós-colonialismo, local de fala e (re)construção das identidades. Para tratar desses assuntos, os convidados foram a professora Lúcia Helena Martins, da Unespar, e o professor João Muanza, da Florida University of Science and Theology. O jornalista Daniel Zanella, do jornal RelevO, também participou da discussão.

Palestra de abertura do evento. Fonte: Streamyard. 


No segundo dia 17/10, a primeira conversa reuniu editores e jornalistas, para apresentar a relevância de Oswald de Andrade nos jornais e nas revistas. Daniel Zanella, Natan Schafer e Whisner Fraga foram os ilustres convidados. No fim da manhã, o diálogo foi com os professores Andre Cabral de Almeida Cardoso (UFF), Diego Gomes do Valle (UFFS) e Everton Almeida Barbosa (UNEMAT), que compuseram a mesa Sobre os Sinais dos Tempos. No período da tarde, o tópico foi a Antropofagia, focalizada sob a pespectiva acadêmica. Dessa vez, assumiram a palavra a professora Rebeca Queluz (UFPR) e o escritor e professor Otto Leopoldo Winck, da Uniandrade. Na seção Literatura em Revista, Cesar Paulo da Silva (UEPG) analisou a obra de Elena Ferrante. À noite, na mesa-redonda Sobre Misturas e Mutações, mediada pela professora Célia Arns de Miranda (Uniandrade/UFPR), as professoras Elaine Barros Indrusiak (UFRGS), Maria Cristina Ribas (UERJ) e Verônica Daniel Kobs (Uniandrade) falaram sobre Literatura, outras artes e outras mídias. E, para fechar a noite em grande estilo, a diretora de teatro Fátima Ortiz fez uma leitura dramática da minicoletânea intitulada “Poemas da Colonização”, de Oswald de Andrade.


Mesa-redonda Sobre os Sinais do Tempos. Fonte: Streamyard.


No dia 18/10, a professora Nivea Bona (Boston University) falou sobre Redes Digitais e Relações Humanas. Logo depois, Ariane Salgado (PUC-SP), Fábio Fernandes (PUC-SP) e Walter Lima Torres (UFPR) apresentaram suas obras, todas elas recém-publicadas. Depois do almoço, o Brainstorm "Oswald de Andrade Multifacetado" contou com as apresentações de Fernanda Clemilda Santos de Oliveira Dante (UFPR), Gissele Chapanski (UniSantaCruz/Instituto Serendipe), Sandro Moser (Festival de Curitiba) e Sérgio Khalil (Instituto Serendipe). O responsável por essa reunião foi o jornalista Daniel Zanella. Na seção Literatura em Revista, Thiago Franklin de Souza Costa (UFRJ) apresentou seus estudos sobre a obra de Lídia Jorge. Para fechar o dia, a semana e o evento com chave-de-ouro, os autores José de Nicola e Lucas de Nicola contaram um pouco sobre o livro Semana de 22: Antes do Começo e Depois do Fim, um trabalho monumental de pesquisa (648 páginas de Literatura e História). Em seguida, Verônica Daniel Kobs (Uniandrade) apresentou o Manifesto da Poesia Pau-Brasil, de Oswald de Andrade, em uma versão ilustrada pela Inteligência Artificial do Canva. 


Palestra de encerramento do evento. Fonte: Streamyard. 

Para rever as palestras, os debates, as mesas-redondas e as leituras dramáticas, acesse os links abaixo:

Dia 16/10 Manhã

Dia 16/10 Tarde

Dia 16/10 Noite

Dia 17/10 Manhã

Dia 17/10 Tarde

Dia 17/10 Noite

Dia 18/10 Manhã

Dia 18/10 Tarde

Dia 18/10 Noite


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Verônica Daniel Kobs: Pós-Doutorado em Literatura e Intermidialidade (UFPR). Professora e pesquisadora de Literatura e Tecnologia Digital. Coordenadora dos cursos de Mestrado e Doutorado em Teoria Literária da UNIANDRADE. Idealizadora do blog Sarau Literário. 

terça-feira, 22 de outubro de 2024

ALGUMAS DICAS SOBRE TRADUÇÃO TÉCNICA


Camila Rosa


Ainda que compartilhem o objetivo comum de comunicar ideias de um idioma para o outro, a tradução literária e a tradução técnica têm abordagens, técnicas e prioridades distintas.

A tradução técnica é uma atividade especializada que requer não apenas conhecimentos linguísticos dos idiomas de partida e de chegada, mas também um profundo entendimento da área abordada no texto-fonte. Esse campo de atuação envolve o trabalho com textos que lidam com terminologias específicas de diversas áreas, como direito, engenharia, biologia e medicina. Exemplos de textos que exigem traduções técnicas incluem manuais de instruções, especificações de produtos e textos legais.

Cada área tem seu próprio conjunto de termos, e estes muitas vezes não dispõem de equivalentes diretos em outros idiomas. Por isso, é fundamental que o tradutor esteja bem-informado sobre a terminologia específica da área em questão. Para tanto, recomenda-se o uso de glossários, dicionários técnicos e bancos de dados terminológicos – por vezes fornecidos pelo próprio contratante –, além de ferramentas de tradução assistida (CAT tools), como softwares de memória de tradução (OmegaT, Trados etc.). O conhecimento sobre a terminologia é um dos pilares da tradução técnica.


Fonte: Imagem cedida pela autora.

Interface do OmegaT. Esse software é uma CAT (computer-assisted translation) tool, isto é, uma ferramenta que visa auxiliar o processo de tradução, e não uma ferramenta de tradução automática. Ao utilizar o OmegaT ou outros programas de memória de tradução, o tradutor tem acesso a segmentos de texto já traduzidos por ele em projetos anteriores. CAT tools destinadas à memória de tradução auxiliam o profissional a manter a consistência terminológica e a gerenciar grandes volumes de texto, permitindo a reutilização de traduções anteriores.

O tradutor técnico deve se concentrar em transmitir o conteúdo de maneira precisa, sem se preocupar com aspectos estilísticos ou poéticos; o objetivo é garantir no texto-alvo a precisão e a clareza da informação técnica expressa no texto-fonte. Assim, tendo em vista a “função essencialmente pragmática e utilitária” (Cavaco-Cruz, 2012, p. 33) dessa modalidade tradutória, a criatividade torna-se limitada, priorizando-se o cumprimento de normas e padronizações técnicas.

Como dito anteriormente, o tradutor deve ter um entendimento terminológico da área em questão. Isso demanda do profissional extensa pesquisa, especialmente em razão da constante evolução da terminologia e das tecnologias nas diferentes áreas do saber. O tradutor precisa se atualizar sobre as novas práticas e as inovações das áreas em que atua para garantir que suas traduções reflitam o estado atual do conhecimento técnico.

A compreensão sobre o público-alvo também é crucial. O tradutor deve adaptar o texto de modo que ele seja compreensível e relevante para os leitores na língua de chegada. Isso inclui considerar o contexto cultural e o nível de especialização do público-alvo – um texto técnico voltado para engenheiros, por exemplo, tem uma linguagem diferente da de um manual de instruções destinado a um público leigo.

 

Referências

CAVACO-CRUZ, Luís. Manual prático e fundamental de tradução técnica. [S.l.]: Arkonte, 2012. E-book.

OMEGAT. Disponível em: https://omegat.org/pt_BR/. Acesso em: 13 out. 2024.

 

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Camila Rosa é editora de livros. Atua no mercado editorial há mais de 11 anos com materiais universitários, técnico-científicos e didáticos. Tem graduação em Letras Português e Inglês e especialização em Artes Híbridas e em Tradução.

sexta-feira, 11 de outubro de 2024

 MESTRADO E DOUTORADO EM TEORIA LITERÁRIA DA UNIANDRADE DIVULGAM CADERNO DE RESUMOS E CRONOGRAMA COMPLETO DO V SEMINÁRIO INTERNACIONAL 



Caderno de Resumos: 

https://drive.google.com/file/d/164kNDxl1wGpt4aUsOr9EFAcs02gA4Q-W/view?usp=sharing


Encarte completo, com cronograma de apresentações e links de acesso às salas do evento: 

https://drive.google.com/file/d/1s1GynIBq6weh_8GnsLznWPvh3HWZX-DO/view?usp=sharing

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

BATE-PAPO COM OS ESCRITORES FÁBIO FERNANDES, 

ARIANE SALGADO E WALTER LIMA TORRES


Verônica Daniel Kobs

 

No dia 18 de outubro de 2024, como parte da programação do evento internacional que será realizado pela Uniandrade, com apoio da Florida University of Science and Theology, os escritores Fábio Fernandes, Ariane Salgado e Walter Lima Torres vão participar de um bate-papo com seus leitores. Eles vão falar sobre o processo criativo de suas obras, sobre o mercado editorial e sobre seus livros mais recentes, lançados neste ano de 2024.

Os dias da peste, de Fábio Fernandes, propõe uma reflexão provocadora sobre a interdependência entre humanos e máquinas. A obra, ambientada no Brasil e apresentada em formato de diário, questiona o que aconteceria se a tecnologia se tornasse uma necessidade vital. Ao longo da narrativa, o autor mescla elementos do cyberpunk e da ficção científica, criando um ambiente que remete a outras obras do gênero, para desenvolver uma trama que envolve e instiga o leitor. A terceira edição revisada, com prefácio de Fausto Fawcett, reafirma a relevância de Os dias da peste no contexto contemporâneo, incentivando uma análise crítica sobre os limites da evolução digital e suas implicações para a experiência humana.

 


Apreciação estética e práticas educativas, de Ariane Alfonso Azambuja de Oliveira Salgado, investiga a função da arte na sociedade contemporânea e seu papel na formação do olhar crítico. A autora aborda conceitos fundamentais de estética, refletindo sobre beleza e repertório cultural, enquanto relaciona a educação artística ao ensino de diferentes formas de expressão, como pintura, teatro e música. O livro sugere diretrizes para uma apreciação artística eficaz nas escolas, em consonância com os Parâmetros Curriculares Nacionais e a Base Nacional Comum Curricular. Com o acréscimo de videoaulas acessíveis por QR codes, a obra se apresenta como um recurso indispensável para educadores e acadêmicos das áreas de Letras e Artes.

 


Quarta parede – Tópicos de cultura teatral, de Walter Lima Torres, é composto de seis ensaios que abordam temas essenciais da cultura cênica. Com uma perspectiva culturalista, o autor relaciona sua vivência como espectador e professor de estudos teatrais, enriquecendo a discussão sobre a recepção das obras teatrais. A obra não apenas analisa aspectos técnicos da dramaturgia, mas também investiga o papel do teatro na sociedade contemporânea. Voltado para amantes e profissionais de Artes Cênicas e Letras, o livro se apresenta como uma contribuição significativa para o entendimento das dinâmicas culturais que permeiam o cenário teatral, estimulando tanto a reflexão crítica quanto a prática artística.


 

Para fazer parte dessa conversa, acesse a programação completa do evento e faça sua inscrição como ouvinte, seguindo este link:

https://teorialiterariauniandrade.blogspot.com/2024/08/centro-universitario-campos-de-andrade.html

As inscrições para ouvintes encerram-se a amanhã, dia 10/10.


Fontes das imagens: <amazon.com.br>, <giostrieditora.com.br> e <videolivraria.com.br>.


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Verônica Daniel Kobs: Pós-Doutorado em Literatura e Intermidialidade (UFPR). Professora e pesquisadora de Literatura e Tecnologia Digital. Coordenadora dos cursos de Mestrado e Doutorado em Teoria Literária da UNIANDRADE. Idealizadora do blog Sarau Literário.

terça-feira, 1 de outubro de 2024

 RELENDO CAPITÃES DA AREIA PELAS LENTES DO CINEMA

 

Prila Leliza Calado

 

Caras e caros leitores do Blog Sarau Literário,

Sabe quando bate aquela saudade de um/a amigo/a que faz tempo que você não vê e você manda uma mensagem para marcar um encontro? Aquela vontade de rever e conversar para botar o papo em dia? Pois é... aconteceu isso comigo há algum tempo, mas foi com minha dissertação de mestrado! Me bateu uma saudade do tempo que me dediquei a ela, das discussões tão produtivas com a minha orientadora, das leituras... Resolvi reencontrar minha dissertação! E, assim, como nos reencontros entre amigas/os, eu saí contente! Contente por ver que os estudos do mestrado não só me abriram os caminhos para as pesquisas futuras, contribuindo para o meu amadurecimento acadêmico, mas principalmente porque estudar o regionalismo, e mais particularmente a obra de Jorge Amado, continua sendo fundamental para entendermos as origens e os desdobramentos de inúmeras questões socioculturais brasileiras. E foi essa a motivação para transformar a dissertação em livro, o qual apresento a vocês agora. A publicação traz conceitos de adaptação interartes, tradução semiótica, crítica literária, cinema, modernidade líquida e suas possíveis relações com Capitães da Areia, uma das obras mais reverenciadas de Jorge Amado. Ela também conta com prefácio escrito pela nossa querida Verônica Daniel Kobs, de quem tive a honra de ser orientanda. Convido vocês para esse encontro também, e espero que seja tão prazeroso para vocês quanto foi para nós!



Você encontra Relendo Capitães da Areia pelas lentes do cinema neste link gratuito:

https://atenaeditora.com.br/catalogo/ebook/relendo-capitaes-da-areia-pelas-lentes-do-cinema-relacoes-sociais-e-violencia-na-adaptacao-cinematografica-do-livro-de-jorge-amado

 

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Prila Leliza Calado é docente da UFPR desde 2017 e leciona no Setor de Educação Profissional e Tecnológica (SEPT). Mestra em Teoria Literária (UNIANDRADE) e Doutora em Letras / Estudos Literários (UFPR), interessa-se pelos Estudos da Tradução, Tradução Intersemiótica, Adaptação Intermidiática. Integra o grupo de pesquisa “Educação e Tecnologia: Pessoas e Protagonismos”.

terça-feira, 24 de setembro de 2024

 A OUTRA MULHER


Dina Dominick

 

– Me conta a verdade, filha. Onde está sua mãe?

– Ela está bem aqui, pai. O senhor acredita em mim?

Ombros arqueados, cabelos desalinhados, a cozinha do almoço por arrumar. Mesmo cansada, ela buscava aprovação, enquanto ele me respondia:

– Que nada! Essa é a Terezinha, minha irmã. Eu não sou bobo. Vocês querem me tapear. Falem de uma vez: ela está internada ou sepultada?

– Olha com calma pra ela, pai. É a sua mulher.

– Vai ver um ordinário inventou futrica com o meu nome e a Lourdes foi embora. Ô, Jesus, eu nunca tive outra mulher, nunca. Me leva, Santíssimo! – Rogava desamparado.

Comovida, minha mãe acolheu clandestinamente o que seria mais uma declaração de amor que uma oração de súplica.

A tia Ozita mostrou fotos de família, situou o casal.

– A aparência é muito diferente – contradizia meu pai, desconfiado, examinando de longe a mulher, enquanto ela deixava a sala.

Minha mãe se trancou no banheiro em silêncio. Fiquei ainda mais triste. Talvez estivesse chorando. Respeitei a privacidade dela.

Não demorou muito até que ela voltasse. Postou-se em frente a ele, rejuvenescida: vestido de estampa floral, lábios realçados de batom, delicado sorriso.

– Seu pai deve estar se lembrando de mim como eu era quando nos casamos.

Paciente, ela aguardava uma reação.

Meu pai observava a mulher com curiosidade. Balançava a cabeça, negando.

Então, ela soube o momento certo de desistir a fim de aliviar o sofrimento do marido. Havia se preparado também para isso. Não se tem sempre razão. Sentou-se ao lado dele e propôs com doçura:

– Meu bem, sua filha veio tomar café com você.

Ele providenciou a bebida quente e forte, mas não tomou – embirrado, cismando. Relutante, aceitou a água e a sugestão de repouso.

Despertou calmo, bem-disposto, são.


Fonte: Acervo pessoal da autora. 


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Dina Dominick é de Belo Horizonte, graduada em Letras pela UFMG. Produz conteúdo sobre literatura, em seu  perfil, no Instagram: @dinamariadominick. Tem contos publicados no jornal RelevO, na revista Artes do multiverso e em coletâneas da Editora Selo Off Flip. A Outra Mulher é seu livro de estreia. 

terça-feira, 17 de setembro de 2024

A EXPERIÊNCIA DE PUBLICAR UM LIVRO NO PNLD LITERÁRIO


Bruno Palma e Silva


Dizem que nada na vida é por acaso e, ter um livro aprovado no Programa Nacional do Livro Didático – PNLD Literário, foi, no meu caso particular, uma sequência de eventos felizes. E é também como dizem: quando a oportunidade aparecer, esteja pronto!

Comecei escrevendo num blog, sem grandes pretensões. Belo dia, uma amiga, ex-colega de editora, me pediu alguns textos para trabalhar num curso que estava fazendo. Enviei a ela alguns, fizemos uma seleção, trabalhamos na preparação.

Outro belo dia, quem me ligou foi um amigo, também ex-colega de editora, contando que havia sido anunciado o PNLD Literário e perguntando se, por acaso, eu não teria um livro que quisesse inscrever. Por acaso, eu tinha. Tomei coragem, ele gostou e trabalhamos na edição.

Aqui vai minha primeira impressão: a corrida é grande, e é preciso muitas mãos – ou pernas – para vencê-la. A janela entre o anúncio do edital e a finalização das inscrições se fecha rápido e é preciso preparar e pensar em muita coisa. Tive a sorte de estar ao lado de gente generosa e competente.

Meu livro, um volume de contos e crônicas curtos, com algumas ilustrações minhas, foi inscrito na categoria 6 – destinada a estudantes do Ensino Médio.


Fonte da imagem: Acervo pessoal do autor.


Enviada a inscrição, chega a hora de esperar. Naquele ano, por exemplo, foram quatro ou cinco meses entre a inscrição e o resultado da avaliação.

Era o dia do meu aniversário quando eu recebi uma ligação do meu editor com a notícia: “seu livro foi aprovado!”. Eu estava numa loja encomendando uma moldura para um uma gravura que tinha ganhado da minha esposa: “A grande Onda de Kanagawa”, do japonês Hokusai (1760-1849). E foi, realmente, uma onda de felicidade.

Fui para a editora saber mais e tive minha segunda impressão sobre o processo: o MEC leva muito a sério a escolha das obras. Recebi um parecer do meu livro, feito por uma especialista, tão detalhado que nele constavam aspectos que nem eu tinha, conscientemente, colocado nos textos. Tudo – do tema dos textos às figuras de linguagem utilizadas, passando pela isenção de apologias e preconceitos – é analisado em detalhes, pensando na melhor formação dos jovens.

A partir daí, há o envio de documentos e comprovações – até onde acompanhei, o rigor e a honestidade dos processos são inquestionáveis. Os títulos participantes são disponibilizados num catálogo às escolas e bibliotecas, que fazem a escolha do que vão querer para seus estudantes.

Após as negociações, o MEC faz, finalmente, o pedido dos livros. As editoras, então, providenciam a impressão e fazem toda a logística de enviá-los para diversos pontos do país. No meu caso, o pedido foi de exatos 69.682 exemplares e mais um pedido complementar de 10.000, chegando a quase 80 mil livros!

Aqui divido minha terceira grande impressão sobre o edital: além, de beneficiar leitoras e leitores, o PNLD também ajuda autores e editoras – especialmente os iniciantes, como eu, e as casas pequenas, como a que me publicou. Chega a ser inacreditável pensar que meu primeiro livro atingiu essa tiragem.

Por fim, minha última e talvez mais forte impressão sobre a história toda: é fantástico participar de um programa tão abrangente e que transforma vidas. Porque os livros foram distribuídos a alunos e professoras que, infelizmente, sabemos que não teriam condições de comprá-los, e muitas vezes vivem em locais onde sequer existe uma livraria.

Até hoje, anos depois, recebo mensagens gentis de estudantes e professores que utilizaram meu livro em sala de aula ou o levaram para casa. Alguns me pedem ajuda para trabalhos valendo nota, outros dividem comigo momentos de descanso.

Pois, de tudo, o que de melhor o PNLD me trouxe, foram milhares de amigas e amigos por todo o país. Aqui de Curitiba pude me ligar ao Acre, ao Mato Grosso, à Bahia, ao Ceará... e nos identificamos nas “pequenas ocasiões que nos fazem quem somos”.

Escrever é um ato solitário, mas publicar é coletivo. Esta foi a mais poderosa e gratificante experiência da minha vida como escritor e recomendo, de coração, a todo mundo que um dia puder participar.

Viva os livros! Viva o PNLD!


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Bruno Palma e Silva possui MBA em Book Publishing (Labpub) e é bacharel em Design Gráfico (UFPR – Universidade Federal do Paraná). Atua no mercado editorial e de educação desde 2004 como designer, produtor editorial e autor. Também desenvolve, eventualmente, identidade visual, peças de design impresso e objetos de ensino digital. Iniciou em 2006 um blog, o Acepipes Escritos (http://acepipesescritos.blogspot.com/), cujos textos se tornaram leitura obrigatória no processo seletivo da Universidade de Brasília (UnB). Participa também de algumas revistas e antologias literárias.