Thales
Vianna Coutinho
Fonte: Imagem enviada pelo autor do texto.
Os fãs da saga “A Guerra dos Tronos” costumam alertar os leitores de última hora da seguinte forma: “não se apegue a nenhum personagem, porque daqui a pouco ele morre”. Apesar de ser um aviso bastante sensato, não previne a experiência do luto parassocial quando a profecia finalmente se cumpre. De igual forma, há dezenas de publicações em metaciência (área do conhecimento que se dedica a compreender o fazer científico) alertando que não devemos confiar cegamente em cientistas, pois muitos deles acabam se revelando como impostores. Ainda assim, quando isso finalmente acontece, não dá para evitar o sentimento de decepção e traição.
Vale,
no entanto, ressaltar que vivemos em um contexto no qual a tendência ao
cancelamento parece sempre estar engatilhada, de modo que qualquer mínimo
movimento estranho pode disparar uma bala feroz e destrutiva. Por isso,
precisamos redobrar nossa reflexão e analisar os fenômenos com bastante
sensatez, para não balear alvos errados simplesmente pela ânsia por sangue.
A
bomba da vez estourou em cima da reputação de um dos neurologistas mais
queridos das últimas décadas: Oliver Sacks. Um cara que brindou o mundo com livros
sensíveis sobre seus pacientes complexos, dando títulos icônicos às suas
coletâneas de casos, sendo “O Homem que Confundiu sua Mulher com um Chapéu”
(lançado em 1985) a obra mais famosa.
Suas
obras, marcadas pela união entre fenomenologia e medicina (Silva, 2011),
ficaram conhecidas não apenas entre os profissionais de saúde, mas também entre
leitores com diferentes backgrounds. Todos super interessados em ler aquelas
narrativas cuidadosas, que descreviam não apenas os déficits, mas os potenciais,
dos pacientes neurológicos. Não foi à toa que, no Brasil, seus livros não foram
lançados pela ArtMed, ou pela Manole (importantes editoras de medicina), mas
sim pela Companhia das Letras, reconhecida por seus romances e suas
autobiografias.
No
início de 2015 ele escreveu um texto bastante comovente, declarando que estava
com metástase e já antecipando a própria morte, mas com uma visão esperançosa,
análoga àquela que nutria pelos seus próprios pacientes. À época, postei um
vídeo no meu Facebook, intitulado "Oliver Sacks: O Homem que foi
imortalizado de três maneiras", explicando que ele deixou uma marca
indelével tanto na academia (seus livros são usados rotineiramente em aulas dos
cursos de saúde), na arte (suas obras foram adaptadas para o cinema e para o
teatro) e no coração das pessoas (sua generosidade, toda vez que um fã o parava
no meio de suas corridas no Central Park, fazia dele uma figura extremamente
carismática).
Digo
isso para justificar que esse texto é fruto não apenas do impacto que senti ao
ler a notícia que descreverei abaixo (e as reações das pessoas a ela), mas
também da admiração que sempre nutri por ele, admiração que foi tão importante
para a minha própria formação. Afinal, além de ser neuropsicólogo clínico, a
Psicologia Narrativa (tema que hoje abordo em diferentes ciclos, em parceria
com a professora Verônica Daniel Kobs), é fortemente influenciada pela forma
empática e “dickensiana” como ele descrevia os casos.
Porém,
no dia 8 de dezembro de 2025, a jornalista Rachel Aviv publicou uma extensa
matéria no The New Yorker, relatando informações inéditas, derivadas de
entrevistas e do acesso aos diários que foram cedidos a ela pela Oliver
Sacks Association. Além de um relato biográfico muito impressionante, contemplando
a forma como ele encarava a própria sexualidade, as injustiças que sofreu na
vida e até crises existenciais, o texto apresentou informações que abalaram muitos
dos que o admiravam. Eu mesmo, num primeiro momento, fiquei chocado e tive uma
discussão mais dura sobre o caso, em um grupo de colegas no Whatsapp. Mas,
posso dizer que esse texto, escrito sem estar no calor do momento, funciona
como uma espécie de mea culpa às críticas não necessariamente justas que fiz ao
querido neurologista.
Descobrimos
que, repetidas vezes, em seus diários, Oliver Sacks confessava um sentimento de
culpa por ter representado seus pacientes de forma pouco fidedigna. Essas
confissões se revelaram mais intensas após a publicação de "O Homem que
confundiu sua mulher com um chapéu", principalmente devido as
profundas inconsistências envolvendo alguns casos, como o dos gêmeos autistas
que ele dizia terem uma incrível habilidade matemática envolvendo números
primos (algo que se revelou inverídico).
É
bem verdade que, em seu livro anterior: “Tempo de Despertar” (originalmente
lançado em 1973), Sacks escreve o seguinte, no prefácio à primeira edição: “Em
um livro como este – a respeito de pessoas vivas – surge um problema
complicado, por vezes insuperável: o de transmitir informações minuciosas sem
trair o sigilo profissional e pessoal. Precisei mudar os nomes de meus
pacientes, o nome e localização do hospital em que se encontraram e
determinados detalhes circunstanciais. Procurei, porém, preservar o que é
importante e essencial – a presença real e plena dos próprios pacientes, o
sentimento de como eles vivem, como são suas personalidades, moléstias, reações
– as características essenciais de sua situação singular” (Sacks, 2005, p.
15).
De
fato, em nome da ética médica, esse cuidado é absolutamente indispensável. No
entanto, os diários revelam que não é totalmente verdade que somente dados de
identificação foram omitidos. Sob o guarda-chuva de “determinados detalhes
circunstanciais”, ele omitiu informações muito importantes sobre alguns
pacientes, como a ocorrência de condutas sexuais reprováveis.
Longe
de ele precisar de um advogado, eu quero aqui tecer uma argumentação à luz da
teoria literária, que julgo ser importante para explicar a complexidade do caso
e contribuir à opinião pública. Permita-me, no entanto, começar pelo princípio.
Durante
o último semestre, tive a oportunidade de participar da disciplina de “Linguagens
da Alteridade”, ministrada pela professor Mail Marques de Azevedo, no
programa de doutoramento em Teoria Literária da Uniandrade. Durante as aulas,
discutimos o conceito de pacto autobiográfico, elaborado por Philippe Lejeune. Para
ele, que tanto se debruçou sobre as estruturas das autobiografias, o leitor de
uma obra estabelece uma espécie de pacto assíncrono com o autor. Em que
sentido? Ele irá assumir que todas as informações dispostas no livro são
verdadeiras.
Esse
pacto, obviamente, tem alguns limites razoáveis. Basta dar como exemplo esse
próprio momento em que você lê meu texto. A sua leitura não é objetiva! Ela
está impregnada com elementos dos mais variáveis, que vão gerar uma
interpretação muito distinta de algum colega seu que entre em contato com o
mesmo amontoado de palavras. Isso significa que, estimulado pela minha escrita,
pode ser que você sinta mais raiva, ou menos raiva, do Oliver Sacks. Esse afeto
determinará se você recomendará, ou não, essa leitura a terceiros. E, para
fazer isso, você recorrerá a argumentos persuasivos favoráveis, ou
desfavoráveis, à “escrita do Thales”. Ou seja, o mesmo texto pode gerar visões
diametralmente opostas, que serão repercutidas adiante. E tudo isso mantendo a
absoluta autenticidade do relato (você será fiel à sua percepção, ao falar
sobre esse texto com seus colegas).
Agora
imagine que esse é um mero recorte da forma como a realidade é subjetivamente
construída, e que isso se aplica a absolutamente todas as suas experiências
cotidianas. Isso torna naturalmente impossível exigir que alguém seja objetivo no
relato daquilo que vivenciou, dado o fato que a objetividade nunca pode ser tocada.
Logo, há sim uma “cláusula” nesse pacto autobiográfico em que o leitor concorda
que detalhes da obra não representam a realidade concreta. Nesse ponto,
inclusive, podemos retomar as frases (já citadas, e que citarei mais adiante)
pouco salientes dos prefácios de seus livros que, quase de forma envergonhada,
informam que um ou outro aspecto descrito não será totalmente autêntico. Para
mais esclarecimento sobre a construção subjetiva da realidade, e da própria
memória, você pode ler Johnson (2025), Simpson (2023), e Lau e colaboradores
(2022).
No
entanto, a questão assume tons mais complexos quando a própria teoria literária
contemporânea entende que a autobiografia é apenas um dos tipos de “escrita de
si”, assim como a autoficção. Per Krogh Hansen (2017), em seu artigo, começa
retomando a definição paradoxal de autoficção formulada por Serge Doubrovsky (“ficção
de fatos estritamente reais”), assim como o conceito de “duplo contrato”
(cunhado por Poul Behrendt), segundo o qual a autoficção opera simultaneamente
sob as regras da comunicação factual e da ficcional. Portanto, não é exagero
considerar que a autoficção desafia as teorias clássicas da ficção, criando
“sítios de ficcionalização” em meio às informações concretas, ao mesmo tempo
que uma tensão tanto com a teoria do pacto autobiográfico, quanto com
abordagens narratológicas e pragmáticas que defendem uma separação clara entre
narrativas factuais e ficcionais (James, 2022).
Na
verdade, concepções tradicionais de autobiografia, baseadas na ideia de um self
estável e de um relato referencial transparente, tornaram-se insustentáveis
diante de abordagens contemporâneas (Fonioková, 2025), justamente por aquilo
que já expliquei anteriormente: uma mesma experiência gera percepções
distintas, que serão relatadas de forma diferente, ainda que absolutamente
sinceras. Negar isso é desconsiderar a natureza da cognição humana.
Nesse
sentido, Karen Ferreira-Meyers (2025) argumenta que a autobiografia e a autoficção
não devem ser tratadas como rivais, sendo que os dois devem ser compreendidos
como modos distintos, porém complementares. Em seu artigo, ela cita Philippe
Forest, que enxerga a autoficção como a forma “honesta” da autobiografia
contemporânea, por reconhecer que nossas memórias não são infalíveis. Essa
visão está alinhada com a de Schmitt (2022), para quem a tematização da
falibilidade da memória é um elemento que precisa estar presente no texto autoficcional,
para reforçar a instabilidade narrativa e chamar a atenção para o caráter
construído da narrativa de si, sem que se estabeleça um pacto autobiográfico de
verdade. Por isso, em seu artigo Fonioková (2025) considera que há necessidade
de uma sinalização explícita da intenção autoficcional, de forma que ela
anuncie a presença da invenção.
Voltando
à matéria de Rachel Aviv, podemos contemplar a correspondência do neurologista
com um dos seus irmãos, Marcus Sacks, para quem enviou o exemplar de seu famoso
livro de 1985, e disse algo como "essas narrativas peculiares - meio
relato, meio imaginação, meio ciência, meio fábula, mas com uma fidelidade
própria - são o que eu faço, basicamente, para afastar meus demônios do tédio,
da solidão e do desespero".
De
fato, no prefácio do livro ele escreve: “O científico e o romântico, nessas
esferas, imploram para ficar juntos — Luria gostava de falar em "ciência
romântica". Eles se encontram na intersecção de fato e fábula, a
intersecção que caracteriza (como fiz em meu livro Tempo de Despertar) as vidas
dos pacientes aqui narradas” (Sacks, 2003, p. 05). O problema é que parece
ter entrado em ação o fenômeno da “morte do autor”, cunhado por Roland
Barthes, segundo o qual a intenção do autor não conta para a apreciação do
leitor sobre a obra (Barthes, 1977).
A
evidência principal disso é que, em 2017, o crítico Robert McCrum publicou no The
Guardian uma lista com os 100 melhores livros da categoria não-ficção de
todos os tempos, na qual "O Homem que confundiu sua mulher com um
chapéu" ocupa a posição 12, ao lado de obras como "O Gene
Egoísta" (de Richard Dawkins) e "A Estrutura das Revoluções
Científicas" (de Thomas Khun). Ou seja, podemos até dizer que Oliver
Sacks não tornou tão saliente essa sua declaração de que nem tudo ali era
verdade, que está no meio de outras tantas coisas mais interessantes do seu
livro. Mas, não é possível afirmar que ele tenha sido totalmente desonesto com
o leitor.
É
importante também ter em mente que Serge Doubrovsky cunhou o neologismo
autoficção somente em 1977. Mas, à época, ainda não era um gênero tão conhecido
quanto hoje, em que temos até prêmio Nobel vinculado a ele (como Annie Ernaux).
Isso permite conjecturar que Oliver Sacks, não estando familiarizado com o
conceito, pode não ter sido tão claro quanto aos elementos ficcionais de seus
casos clínicos por medo de que eles fossem mal recebidos pelo público. No
entanto, será que esse receio, se verdadeiro, procede?
De
acordo com Effe & Gibbons (2022), os leitores possuem sim expectativas
distintas ao ler textos factuais e ficcionais, e que a autoficção explora
deliberadamente essa duplicidade, produzindo um modo específico de leitura
caracterizado por oscilação, combinação ou tensão entre pactos de leitura
autobiográfico e ficcional. Ainda, Gibbons (2022) propõe um modelo cognitivo
teórico em que, ao ler autoficção, o leitor constrói múltiplos mundos mentais:
um texto-mundo interpretado como autobiográfico, e outro como ficcional.
Portanto, a leitura da autoficção não consiste em uma simples alternância entre
“fato” e “ficção”, mas em um processo cognitivo interconectado e dinâmico.
Porém,
apesar das diferenças em termos de expectativa, a resposta a essa pergunta
parece vir de Ghasseminejad (2025a, 2025b), que investigou como leitores reais
percebem a ficcionalidade e a não ficcionalidade em textos híbridos.
Identificou-se que, mesmo quando os leitores reconhecem elementos possivelmente
inventados, a força expressiva da narrativa gera um sentimento de “verdade
experiencial”, levando-os a aceitar o texto como autêntico. Talvez, se soubesse
dessa informação, Oliver Sacks ficasse mais tranquilo para brandar aos quatro
ventos o quanto adulterou a realidade na descrição de seus casos clínicos.
Em
determinado momento, Sacks chega a perguntar a Lawrence Weschler, seu então
biógrafo, se estava cometendo um erro ao descrever de forma deliberadamente
fantasiosa as experiências que teve com seus pacientes, ao que seu colega o
encorajou a continuar fazendo isso, devido à liberdade de escritor. De fato,
alguns autores sustentam que a autoficção oferece maior liberdade criativa do
que a autobiografia (Jassim & Mozahem, 2025).
Na
realidade, de acordo com Hansen (2017), a autoficção constitui um caso-limite
para as teorias tradicionais de narrador não confiável, sustentando que, ao
borrar deliberadamente as fronteiras entre autor, narrador e personagem, a
autoficção torna-se propensa à não confiabilidade autoral, mesmo quando não há
intenção explícita de enganar o leitor. Portanto, a autoficção é, em si, um
gênero estruturalmente não confiável, pois reivindica simultaneamente verdade
factual e liberdade ficcional.
Mas,
será que essa não-confiabilidade do autor compromete o valor da descrição dos
casos, como tantos algozes de Oliver Sacks estão dizendo por aí, nos últimos
dias?
Lembre-se
de que estamos falando de uma produção que é amplamente usada em cursos de
medicina e psicologia para desenvolver o raciocínio clínico dos futuros
profissionais. Hoje em dia, no entanto, as bases de dados de artigos
científicos estão repletas de evidências mostrando como personagens absolutamente
ficcionais (não apenas parcialmente) podem ser utilizados para ilustrar
fenômenos clínicos reais.
De
Anakin Skywalker (da Rocha et al, 2012) a Eric Cartman (Yalch, 2016), passando
por trabalhos que eu mesmo orientei e que apresentei durante o XVII Seminário
de Pesquisa/ IX Seminário de Teses e Dissertações em Andamento, em que algumas
alunas (respectivamente, Luciana Silveira Ravani Chavito e Sarah Ferreira)
analisaram à luz da neuropsicologia personagens como Pinnochio, de Carlo
Collodi, e Charlie Gordon, de Daniel Keyes, fica demonstrado que usar a ficção
para treinar a realidade não apenas é possível, como incentivado, em diferentes
partes do mundo.
No
entanto, esse sentimento de que “a culpa tem sido muito maior”, que
considera uma “criminalidade hedionda” e que duvida da própria
capacidade de descrever com precisão os casos que atendia, mostram que Oliver
Sacks estava sob forte efeito da ‘culpa deontológica’, um fenômeno
caracterizado pela tendência a se penitenciar por violar um código moral
interno mesmo sem ter lesado objetivamente ninguém (Mancini, 2021). Fazendo um
paralelo com outro de seus livros, parece que ele foi “Um Neurologista em Marte”,
pois viveu uma guerra interna durante muitos anos, que certamente potencializou
o seu sofrimento mental.
No
entanto, não podemos ser anacrônicos. Oliver Sacks não deve ser punido por algo
que desconhecia. É bem possível que ele tenha sofrido o que sofreu por
ignorância quanto aos gêneros textuais, que sequer estavam estabelecidos à sua
época (ao bem da verdade, ainda não estão!). Pode ser que, por não saber a
diferença entre autobiografia e autoficção, omitiu aspectos importantes que, na
verdade, não fariam diferença na apreciação artística ou científica de suas
obras. Hoje, em pleno 2025, outras pessoas que desconhecem essa diferença
atiram pedras no autor, sem saber que, no fim das contas, os casos clínicos
descritos por Oliver Sacks, independente do nível de ficção impregnado neles,
são imortais na academia, na arte e no cérebro (“coração”) das pessoas. Vida
longa à autoficção do grande Oliver Sacks!
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- "Oliver Sacks, neurologista que virou referência mundial, mentiu sobre pacientes e inventou casos". Disponível em: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/oliver-sacks-neurologista-que-virou-referencia-mundial-mentiu-sobre-pacientes-e-inventou-casos/
- "The 100 best nonfiction books of all time: the full list". Disponível em: https://www.theguardian.com/books/2017/dec/31/the-100-best-nonfiction-books-of-all-time-the-full-list
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Thales Vianna Coutinho é psicólogo, professor no Curso de Psicologia da UNIANDRADE e doutorando em Teoria Literária da UNIANDRADE.
