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terça-feira, 17 de março de 2026

 O HOMEM QUE CONFUNDIU SUA AUTOFICÇÃO COM UMA AUTOBIOGRAFIA: UMA ANÁLISE DO CANCELAMENTO PÓSTUMO DE OLIVER SACKS À LUZ DA TEORIA LITERÁRIA

 

Thales Vianna Coutinho

 

Fonte: Imagem enviada pelo autor do texto.

 

Os fãs da saga “A Guerra dos Tronos” costumam alertar os leitores de última hora da seguinte forma: “não se apegue a nenhum personagem, porque daqui a pouco ele morre”. Apesar de ser um aviso bastante sensato, não previne a experiência do luto parassocial quando a profecia finalmente se cumpre. De igual forma, há dezenas de publicações em metaciência (área do conhecimento que se dedica a compreender o fazer científico) alertando que não devemos confiar cegamente em cientistas, pois muitos deles acabam se revelando como impostores. Ainda assim, quando isso finalmente acontece, não dá para evitar o sentimento de decepção e traição.

Vale, no entanto, ressaltar que vivemos em um contexto no qual a tendência ao cancelamento parece sempre estar engatilhada, de modo que qualquer mínimo movimento estranho pode disparar uma bala feroz e destrutiva. Por isso, precisamos redobrar nossa reflexão e analisar os fenômenos com bastante sensatez, para não balear alvos errados simplesmente pela ânsia por sangue.

A bomba da vez estourou em cima da reputação de um dos neurologistas mais queridos das últimas décadas: Oliver Sacks. Um cara que brindou o mundo com livros sensíveis sobre seus pacientes complexos, dando títulos icônicos às suas coletâneas de casos, sendo “O Homem que Confundiu sua Mulher com um Chapéu” (lançado em 1985) a obra mais famosa.

Suas obras, marcadas pela união entre fenomenologia e medicina (Silva, 2011), ficaram conhecidas não apenas entre os profissionais de saúde, mas também entre leitores com diferentes backgrounds. Todos super interessados em ler aquelas narrativas cuidadosas, que descreviam não apenas os déficits, mas os potenciais, dos pacientes neurológicos. Não foi à toa que, no Brasil, seus livros não foram lançados pela ArtMed, ou pela Manole (importantes editoras de medicina), mas sim pela Companhia das Letras, reconhecida por seus romances e suas autobiografias.

No início de 2015 ele escreveu um texto bastante comovente, declarando que estava com metástase e já antecipando a própria morte, mas com uma visão esperançosa, análoga àquela que nutria pelos seus próprios pacientes. À época, postei um vídeo no meu Facebook, intitulado "Oliver Sacks: O Homem que foi imortalizado de três maneiras", explicando que ele deixou uma marca indelével tanto na academia (seus livros são usados rotineiramente em aulas dos cursos de saúde), na arte (suas obras foram adaptadas para o cinema e para o teatro) e no coração das pessoas (sua generosidade, toda vez que um fã o parava no meio de suas corridas no Central Park, fazia dele uma figura extremamente carismática).

Digo isso para justificar que esse texto é fruto não apenas do impacto que senti ao ler a notícia que descreverei abaixo (e as reações das pessoas a ela), mas também da admiração que sempre nutri por ele, admiração que foi tão importante para a minha própria formação. Afinal, além de ser neuropsicólogo clínico, a Psicologia Narrativa (tema que hoje abordo em diferentes ciclos, em parceria com a professora Verônica Daniel Kobs), é fortemente influenciada pela forma empática e “dickensiana” como ele descrevia os casos.

Porém, no dia 8 de dezembro de 2025, a jornalista Rachel Aviv publicou uma extensa matéria no The New Yorker, relatando informações inéditas, derivadas de entrevistas e do acesso aos diários que foram cedidos a ela pela Oliver Sacks Association. Além de um relato biográfico muito impressionante, contemplando a forma como ele encarava a própria sexualidade, as injustiças que sofreu na vida e até crises existenciais, o texto apresentou informações que abalaram muitos dos que o admiravam. Eu mesmo, num primeiro momento, fiquei chocado e tive uma discussão mais dura sobre o caso, em um grupo de colegas no Whatsapp. Mas, posso dizer que esse texto, escrito sem estar no calor do momento, funciona como uma espécie de mea culpa às críticas não necessariamente justas que fiz ao querido neurologista.

Descobrimos que, repetidas vezes, em seus diários, Oliver Sacks confessava um sentimento de culpa por ter representado seus pacientes de forma pouco fidedigna. Essas confissões se revelaram mais intensas após a publicação de "O Homem que confundiu sua mulher com um chapéu", principalmente devido as profundas inconsistências envolvendo alguns casos, como o dos gêmeos autistas que ele dizia terem uma incrível habilidade matemática envolvendo números primos (algo que se revelou inverídico).

É bem verdade que, em seu livro anterior: “Tempo de Despertar” (originalmente lançado em 1973), Sacks escreve o seguinte, no prefácio à primeira edição: “Em um livro como este – a respeito de pessoas vivas – surge um problema complicado, por vezes insuperável: o de transmitir informações minuciosas sem trair o sigilo profissional e pessoal. Precisei mudar os nomes de meus pacientes, o nome e localização do hospital em que se encontraram e determinados detalhes circunstanciais. Procurei, porém, preservar o que é importante e essencial – a presença real e plena dos próprios pacientes, o sentimento de como eles vivem, como são suas personalidades, moléstias, reações – as características essenciais de sua situação singular” (Sacks, 2005, p. 15).

De fato, em nome da ética médica, esse cuidado é absolutamente indispensável. No entanto, os diários revelam que não é totalmente verdade que somente dados de identificação foram omitidos. Sob o guarda-chuva de “determinados detalhes circunstanciais”, ele omitiu informações muito importantes sobre alguns pacientes, como a ocorrência de condutas sexuais reprováveis.

Longe de ele precisar de um advogado, eu quero aqui tecer uma argumentação à luz da teoria literária, que julgo ser importante para explicar a complexidade do caso e contribuir à opinião pública. Permita-me, no entanto, começar pelo princípio.

Durante o último semestre, tive a oportunidade de participar da disciplina de “Linguagens da Alteridade”, ministrada pela professor Mail Marques de Azevedo, no programa de doutoramento em Teoria Literária da Uniandrade. Durante as aulas, discutimos o conceito de pacto autobiográfico, elaborado por Philippe Lejeune. Para ele, que tanto se debruçou sobre as estruturas das autobiografias, o leitor de uma obra estabelece uma espécie de pacto assíncrono com o autor. Em que sentido? Ele irá assumir que todas as informações dispostas no livro são verdadeiras.

Esse pacto, obviamente, tem alguns limites razoáveis. Basta dar como exemplo esse próprio momento em que você lê meu texto. A sua leitura não é objetiva! Ela está impregnada com elementos dos mais variáveis, que vão gerar uma interpretação muito distinta de algum colega seu que entre em contato com o mesmo amontoado de palavras. Isso significa que, estimulado pela minha escrita, pode ser que você sinta mais raiva, ou menos raiva, do Oliver Sacks. Esse afeto determinará se você recomendará, ou não, essa leitura a terceiros. E, para fazer isso, você recorrerá a argumentos persuasivos favoráveis, ou desfavoráveis, à “escrita do Thales”. Ou seja, o mesmo texto pode gerar visões diametralmente opostas, que serão repercutidas adiante. E tudo isso mantendo a absoluta autenticidade do relato (você será fiel à sua percepção, ao falar sobre esse texto com seus colegas).

Agora imagine que esse é um mero recorte da forma como a realidade é subjetivamente construída, e que isso se aplica a absolutamente todas as suas experiências cotidianas. Isso torna naturalmente impossível exigir que alguém seja objetivo no relato daquilo que vivenciou, dado o fato que a objetividade nunca pode ser tocada. Logo, há sim uma “cláusula” nesse pacto autobiográfico em que o leitor concorda que detalhes da obra não representam a realidade concreta. Nesse ponto, inclusive, podemos retomar as frases (já citadas, e que citarei mais adiante) pouco salientes dos prefácios de seus livros que, quase de forma envergonhada, informam que um ou outro aspecto descrito não será totalmente autêntico. Para mais esclarecimento sobre a construção subjetiva da realidade, e da própria memória, você pode ler Johnson (2025), Simpson (2023), e Lau e colaboradores (2022).

No entanto, a questão assume tons mais complexos quando a própria teoria literária contemporânea entende que a autobiografia é apenas um dos tipos de “escrita de si”, assim como a autoficção. Per Krogh Hansen (2017), em seu artigo, começa retomando a definição paradoxal de autoficção formulada por Serge Doubrovsky (“ficção de fatos estritamente reais”), assim como o conceito de “duplo contrato” (cunhado por Poul Behrendt), segundo o qual a autoficção opera simultaneamente sob as regras da comunicação factual e da ficcional. Portanto, não é exagero considerar que a autoficção desafia as teorias clássicas da ficção, criando “sítios de ficcionalização” em meio às informações concretas, ao mesmo tempo que uma tensão tanto com a teoria do pacto autobiográfico, quanto com abordagens narratológicas e pragmáticas que defendem uma separação clara entre narrativas factuais e ficcionais (James, 2022).

Na verdade, concepções tradicionais de autobiografia, baseadas na ideia de um self estável e de um relato referencial transparente, tornaram-se insustentáveis diante de abordagens contemporâneas (Fonioková, 2025), justamente por aquilo que já expliquei anteriormente: uma mesma experiência gera percepções distintas, que serão relatadas de forma diferente, ainda que absolutamente sinceras. Negar isso é desconsiderar a natureza da cognição humana.

Nesse sentido, Karen Ferreira-Meyers (2025) argumenta que a autobiografia e a autoficção não devem ser tratadas como rivais, sendo que os dois devem ser compreendidos como modos distintos, porém complementares. Em seu artigo, ela cita Philippe Forest, que enxerga a autoficção como a forma “honesta” da autobiografia contemporânea, por reconhecer que nossas memórias não são infalíveis. Essa visão está alinhada com a de Schmitt (2022), para quem a tematização da falibilidade da memória é um elemento que precisa estar presente no texto autoficcional, para reforçar a instabilidade narrativa e chamar a atenção para o caráter construído da narrativa de si, sem que se estabeleça um pacto autobiográfico de verdade. Por isso, em seu artigo Fonioková (2025) considera que há necessidade de uma sinalização explícita da intenção autoficcional, de forma que ela anuncie a presença da invenção.

Voltando à matéria de Rachel Aviv, podemos contemplar a correspondência do neurologista com um dos seus irmãos, Marcus Sacks, para quem enviou o exemplar de seu famoso livro de 1985, e disse algo como "essas narrativas peculiares - meio relato, meio imaginação, meio ciência, meio fábula, mas com uma fidelidade própria - são o que eu faço, basicamente, para afastar meus demônios do tédio, da solidão e do desespero".

De fato, no prefácio do livro ele escreve: “O científico e o romântico, nessas esferas, imploram para ficar juntos — Luria gostava de falar em "ciência romântica". Eles se encontram na intersecção de fato e fábula, a intersecção que caracteriza (como fiz em meu livro Tempo de Despertar) as vidas dos pacientes aqui narradas” (Sacks, 2003, p. 05). O problema é que parece ter entrado em ação o fenômeno da “morte do autor”, cunhado por Roland Barthes, segundo o qual a intenção do autor não conta para a apreciação do leitor sobre a obra (Barthes, 1977).

A evidência principal disso é que, em 2017, o crítico Robert McCrum publicou no The Guardian uma lista com os 100 melhores livros da categoria não-ficção de todos os tempos, na qual "O Homem que confundiu sua mulher com um chapéu" ocupa a posição 12, ao lado de obras como "O Gene Egoísta" (de Richard Dawkins) e "A Estrutura das Revoluções Científicas" (de Thomas Khun). Ou seja, podemos até dizer que Oliver Sacks não tornou tão saliente essa sua declaração de que nem tudo ali era verdade, que está no meio de outras tantas coisas mais interessantes do seu livro. Mas, não é possível afirmar que ele tenha sido totalmente desonesto com o leitor.

É importante também ter em mente que Serge Doubrovsky cunhou o neologismo autoficção somente em 1977. Mas, à época, ainda não era um gênero tão conhecido quanto hoje, em que temos até prêmio Nobel vinculado a ele (como Annie Ernaux). Isso permite conjecturar que Oliver Sacks, não estando familiarizado com o conceito, pode não ter sido tão claro quanto aos elementos ficcionais de seus casos clínicos por medo de que eles fossem mal recebidos pelo público. No entanto, será que esse receio, se verdadeiro, procede?

De acordo com Effe & Gibbons (2022), os leitores possuem sim expectativas distintas ao ler textos factuais e ficcionais, e que a autoficção explora deliberadamente essa duplicidade, produzindo um modo específico de leitura caracterizado por oscilação, combinação ou tensão entre pactos de leitura autobiográfico e ficcional. Ainda, Gibbons (2022) propõe um modelo cognitivo teórico em que, ao ler autoficção, o leitor constrói múltiplos mundos mentais: um texto-mundo interpretado como autobiográfico, e outro como ficcional. Portanto, a leitura da autoficção não consiste em uma simples alternância entre “fato” e “ficção”, mas em um processo cognitivo interconectado e dinâmico.

Porém, apesar das diferenças em termos de expectativa, a resposta a essa pergunta parece vir de Ghasseminejad (2025a, 2025b), que investigou como leitores reais percebem a ficcionalidade e a não ficcionalidade em textos híbridos. Identificou-se que, mesmo quando os leitores reconhecem elementos possivelmente inventados, a força expressiva da narrativa gera um sentimento de “verdade experiencial”, levando-os a aceitar o texto como autêntico. Talvez, se soubesse dessa informação, Oliver Sacks ficasse mais tranquilo para brandar aos quatro ventos o quanto adulterou a realidade na descrição de seus casos clínicos.

Em determinado momento, Sacks chega a perguntar a Lawrence Weschler, seu então biógrafo, se estava cometendo um erro ao descrever de forma deliberadamente fantasiosa as experiências que teve com seus pacientes, ao que seu colega o encorajou a continuar fazendo isso, devido à liberdade de escritor. De fato, alguns autores sustentam que a autoficção oferece maior liberdade criativa do que a autobiografia (Jassim & Mozahem, 2025).

Na realidade, de acordo com Hansen (2017), a autoficção constitui um caso-limite para as teorias tradicionais de narrador não confiável, sustentando que, ao borrar deliberadamente as fronteiras entre autor, narrador e personagem, a autoficção torna-se propensa à não confiabilidade autoral, mesmo quando não há intenção explícita de enganar o leitor. Portanto, a autoficção é, em si, um gênero estruturalmente não confiável, pois reivindica simultaneamente verdade factual e liberdade ficcional.

Mas, será que essa não-confiabilidade do autor compromete o valor da descrição dos casos, como tantos algozes de Oliver Sacks estão dizendo por aí, nos últimos dias?

Lembre-se de que estamos falando de uma produção que é amplamente usada em cursos de medicina e psicologia para desenvolver o raciocínio clínico dos futuros profissionais. Hoje em dia, no entanto, as bases de dados de artigos científicos estão repletas de evidências mostrando como personagens absolutamente ficcionais (não apenas parcialmente) podem ser utilizados para ilustrar fenômenos clínicos reais.

De Anakin Skywalker (da Rocha et al, 2012) a Eric Cartman (Yalch, 2016), passando por trabalhos que eu mesmo orientei e que apresentei durante o XVII Seminário de Pesquisa/ IX Seminário de Teses e Dissertações em Andamento, em que algumas alunas (respectivamente, Luciana Silveira Ravani Chavito e Sarah Ferreira) analisaram à luz da neuropsicologia personagens como Pinnochio, de Carlo Collodi, e Charlie Gordon, de Daniel Keyes, fica demonstrado que usar a ficção para treinar a realidade não apenas é possível, como incentivado, em diferentes partes do mundo.

No entanto, esse sentimento de que “a culpa tem sido muito maior”, que considera uma “criminalidade hedionda” e que duvida da própria capacidade de descrever com precisão os casos que atendia, mostram que Oliver Sacks estava sob forte efeito da ‘culpa deontológica’, um fenômeno caracterizado pela tendência a se penitenciar por violar um código moral interno mesmo sem ter lesado objetivamente ninguém (Mancini, 2021). Fazendo um paralelo com outro de seus livros, parece que ele foi “Um Neurologista em Marte”, pois viveu uma guerra interna durante muitos anos, que certamente potencializou o seu sofrimento mental.

No entanto, não podemos ser anacrônicos. Oliver Sacks não deve ser punido por algo que desconhecia. É bem possível que ele tenha sofrido o que sofreu por ignorância quanto aos gêneros textuais, que sequer estavam estabelecidos à sua época (ao bem da verdade, ainda não estão!). Pode ser que, por não saber a diferença entre autobiografia e autoficção, omitiu aspectos importantes que, na verdade, não fariam diferença na apreciação artística ou científica de suas obras. Hoje, em pleno 2025, outras pessoas que desconhecem essa diferença atiram pedras no autor, sem saber que, no fim das contas, os casos clínicos descritos por Oliver Sacks, independente do nível de ficção impregnado neles, são imortais na academia, na arte e no cérebro (“coração”) das pessoas. Vida longa à autoficção do grande Oliver Sacks!

 

Referências

Barthes, R. (1977). The death of the author, 1968. na.

da Rocha, F. F., Malloy-Diniz, L., & Corrêa, H. (2012). Revisiting the Anakin Skywalker diagnostic: transcending the diagnostic criteria. Psychiatry research, 198(1), 179-180.

Effe, A., & Gibbons, A. (2022). A cognitive perspective on autofictional writing, texts, and reading. In The Autofictional: Approaches, Affordances, Forms (pp. 61-81). Cham: Springer International Publishing.

Effe, A. (2025). Developments in autofictional genre signals: Nouns, pronouns and authorial attachment. Language and Literature, 34(2), 207-227.

Ferreira-Meyers, K. (2015). Autobiography and autofiction: No need to fight for a place in the limelight, there is space enough for both of these concepts. Writing the self: Essays on autobiography and autofiction, 203-18.

Fonioková, Z. (2025). The Changing Ways of Writing and Reading Autobiography and Autofiction: Self as Performance in Jan Němec's Ways of Writing about Love. Partial Answers: Journal of Literature and the History of Ideas, 23(2), 249-267.

Ghasseminejad, M. (2025a). The power of perception: The influence of fictionality on the creation of storyworld. Storyworld Possible Selves and Narrative Intersubjectivity, 96, 65.

Ghasseminejad, M. (2025b). Real readers and James Frey’s A Million Little Pieces: The mediating role of authenticity on perceived non-fictionality. Narrative Works, 13(2), 38-56.

Gibbons, A. (2022). A cognitive model of reading autofiction. English studies, 103(3), 471-493.

Hansen, P. K. (2017). Autofiction and authorial unreliable narration. Emerging vectors of narratology, 57, 47.

James, A. (2022). The fictional in autofiction. In The Autofictional: Approaches, Affordances, Forms (pp. 41-60). Cham: Springer International Publishing.

Jassim, S. A., & Mozahem, M. W. (2025). Fictionalizing Memoirs: A Study of Autofiction in Jenny Offill’s Weather. Journal of Language Studies Vol, 9(3 Part 3), 228-246.

Johnson, M. K. (2025). Reflecting on the origins of subjective experience. Annual Review of Psychology, 76.

Lau, H., Michel, M., LeDoux, J. E., & Fleming, S. M. (2022). The mnemonic basis of subjective experience. Nature Reviews Psychology, 1(8), 479-488.

Mancini, F., & Gangemi, A. (2021). Deontological and altruistic guilt feelings: A dualistic thesis. Frontiers in psychology, 12, 651937.

Schmitt, A. (2022). The pragmatics of autofiction. In The Autofictional: Approaches, Affordances, Forms (pp. 83-99). Cham: Springer International Publishing.

Silva, S. G. D. (2011). Oliver Sacks e a" neurofenomenologia do self". Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental, 14, 452-471.

Simpson, S. (2023). The subjective experience of autobiographical memory. Nature Reviews Psychology, 2(6), 330-330.

Srikanth, S. (2019). Fictionality and Autofiction. Style, 53(3), 344-363.

Yalch, M. M., Vitale, E. M., & Ford, J. K. (2016). Diagnosing Cartman: Psychology students’ use of symptoms and traits to assess child antisocial behavior. Teaching of Psychology, 43(3), 227-231.

 

Links importantes

- "Oliver Sacks Put Himself Into His Case Studies. What Was the Cost?". Disponível em: https://www.newyorker.com/magazine/2025/12/15/oliver-sacks-put-himself-into-his-case-studies-what-was-the-cost?utm_source=nl&utm_brand=tny&utm_mailing=TNY_Weekly_120825&utm_campaign=aud-dev&utm_medium=email&utm_term=tny_weekly_digest&bxid=5bd6747524c17c104800dbb2&cndid=36616945&hasha=8b775cde51558abfb1c204e8a411a06b&hashb=15b411190f1b31d1e404ca4adcec582da5d8bd55&hashc=e8b53cd5d79389dd42408e878addc8022351ed3e9e8a331facd307ff936c737c&esrc=subscribe-page

- "Oliver Sacks, neurologista que virou referência mundial, mentiu sobre pacientes e inventou casos". Disponível em: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/oliver-sacks-neurologista-que-virou-referencia-mundial-mentiu-sobre-pacientes-e-inventou-casos/

- "The 100 best nonfiction books of all time: the full list". Disponível em: https://www.theguardian.com/books/2017/dec/31/the-100-best-nonfiction-books-of-all-time-the-full-list

 

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Thales Vianna Coutinho é psicólogo, professor no Curso de Psicologia da UNIANDRADE e doutorando em Teoria Literária da UNIANDRADE.

 

 

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