TUDO BEM SER DIFERENTE: UMA EXPERIÊNCIA DE LEITURA, RESPEITO E ACOLHIMENTO
Arianne Luiza Brito dos Santos
Capa da obra Tudo Bem Ser Diferente, de Todd Parr. Fonte: Panda Books.
Trabalhar o livro Tudo Bem Ser Diferente,
de Todd Parr, com as crianças do Infantil 5 D foi uma experiência muito
especial. Desde o início da leitura, percebi a curiosidade e o interesse da
turma, principalmente porque a obra apresenta situações próximas ao universo
infantil de maneira simples, colorida e divertida. A própria editora classifica
a obra nos temas diversidade e inclusão.
Durante a leitura, procurei criar um espaço em
que as crianças se sentissem à vontade para falar, fazer perguntas e
compartilhar situações que já haviam vivenciado. Em seguida, realizamos uma
roda de conversa sobre o que significa ser diferente. Perguntei se todas as
pessoas são iguais e o que cada uma considerava especial em si mesma. Aos
poucos, surgiram comentários sobre características físicas, gostos,
brincadeiras preferidas e diferenças percebidas entre os próprios colegas.
Foi interessante observar como, no decorrer da
conversa, as crianças começaram a compreender que cada pessoa possui seu
próprio jeito de ser. Algumas falaram sobre aquilo de que gostam, enquanto
outras passaram a observar características dos amigos. De forma espontânea,
chegamos a uma questão fundamental proposta pela leitura: as diferenças fazem
parte de quem somos e precisam ser respeitadas.
Em alguns momentos, surgiram falas espontâneas
e até engraçadas, próprias da infância. Essas situações também se transformaram
em oportunidades de aprendizagem, pois possibilitaram conversar sobre como
nossas palavras e atitudes podem afetar o outro. Falamos sobre a importância de
não rir, excluir ou deixar alguém de lado por ser diferente e sobre como
podemos aprender a respeitar e acolher cada pessoa em sua singularidade.
A leitura abriu caminhos para conversarmos não
apenas sobre as diferenças, mas também sobre amizade, respeito, carinho e
empatia. O livro tornou-se, assim, um ponto de partida para que as crianças
relacionassem a experiência literária às situações vivenciadas no cotidiano e
às relações construídas no espaço escolar.
Como professora, considero que essa
experiência ultrapassou as páginas do livro. As situações apresentadas
aproximaram-se das vivências das próprias crianças e criaram oportunidades para
que elas observassem o outro com mais atenção, reconhecendo que as diferenças
não impedem a construção de vínculos.
Ao final, ficou a percepção de que as crianças
não apenas ouviram uma história. Elas puderam falar de si, observar os colegas
e refletir sobre a convivência. Podemos ter características, gostos e maneiras
de ser diferentes e, ainda assim, brincar, aprender, acolher e crescer juntos.
Referência
PARR, Todd. Tudo bem ser diferente.
Tradução de Marcelo Bueno. São Paulo: Panda Books, 2002.
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Arianne Luiza Brito dos Santos é formada em Pedagogia pela Faculdade
Claretiano e em Letras pela UNINTER. Possui especializações em
Neuropsicopedagogia e Desenvolvimento Humano, Psicopedagogia e Gestão Escolar,
além de Gestão Escolar Integrada. Atua como professora da Educação Infantil, em Colombo e Pinhais.

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