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terça-feira, 24 de setembro de 2024

 A OUTRA MULHER


Dina Dominick

 

– Me conta a verdade, filha. Onde está sua mãe?

– Ela está bem aqui, pai. O senhor acredita em mim?

Ombros arqueados, cabelos desalinhados, a cozinha do almoço por arrumar. Mesmo cansada, ela buscava aprovação, enquanto ele me respondia:

– Que nada! Essa é a Terezinha, minha irmã. Eu não sou bobo. Vocês querem me tapear. Falem de uma vez: ela está internada ou sepultada?

– Olha com calma pra ela, pai. É a sua mulher.

– Vai ver um ordinário inventou futrica com o meu nome e a Lourdes foi embora. Ô, Jesus, eu nunca tive outra mulher, nunca. Me leva, Santíssimo! – Rogava desamparado.

Comovida, minha mãe acolheu clandestinamente o que seria mais uma declaração de amor que uma oração de súplica.

A tia Ozita mostrou fotos de família, situou o casal.

– A aparência é muito diferente – contradizia meu pai, desconfiado, examinando de longe a mulher, enquanto ela deixava a sala.

Minha mãe se trancou no banheiro em silêncio. Fiquei ainda mais triste. Talvez estivesse chorando. Respeitei a privacidade dela.

Não demorou muito até que ela voltasse. Postou-se em frente a ele, rejuvenescida: vestido de estampa floral, lábios realçados de batom, delicado sorriso.

– Seu pai deve estar se lembrando de mim como eu era quando nos casamos.

Paciente, ela aguardava uma reação.

Meu pai observava a mulher com curiosidade. Balançava a cabeça, negando.

Então, ela soube o momento certo de desistir a fim de aliviar o sofrimento do marido. Havia se preparado também para isso. Não se tem sempre razão. Sentou-se ao lado dele e propôs com doçura:

– Meu bem, sua filha veio tomar café com você.

Ele providenciou a bebida quente e forte, mas não tomou – embirrado, cismando. Relutante, aceitou a água e a sugestão de repouso.

Despertou calmo, bem-disposto, são.


Fonte: Acervo pessoal da autora. 


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Dina Dominick é de Belo Horizonte, graduada em Letras pela UFMG. Produz conteúdo sobre literatura, em seu  perfil, no Instagram: @dinamariadominick. Tem contos publicados no jornal RelevO, na revista Artes do multiverso e em coletâneas da Editora Selo Off Flip. A Outra Mulher é seu livro de estreia. 

terça-feira, 17 de setembro de 2024

A EXPERIÊNCIA DE PUBLICAR UM LIVRO NO PNLD LITERÁRIO


Bruno Palma e Silva


Dizem que nada na vida é por acaso e, ter um livro aprovado no Programa Nacional do Livro Didático – PNLD Literário, foi, no meu caso particular, uma sequência de eventos felizes. E é também como dizem: quando a oportunidade aparecer, esteja pronto!

Comecei escrevendo num blog, sem grandes pretensões. Belo dia, uma amiga, ex-colega de editora, me pediu alguns textos para trabalhar num curso que estava fazendo. Enviei a ela alguns, fizemos uma seleção, trabalhamos na preparação.

Outro belo dia, quem me ligou foi um amigo, também ex-colega de editora, contando que havia sido anunciado o PNLD Literário e perguntando se, por acaso, eu não teria um livro que quisesse inscrever. Por acaso, eu tinha. Tomei coragem, ele gostou e trabalhamos na edição.

Aqui vai minha primeira impressão: a corrida é grande, e é preciso muitas mãos – ou pernas – para vencê-la. A janela entre o anúncio do edital e a finalização das inscrições se fecha rápido e é preciso preparar e pensar em muita coisa. Tive a sorte de estar ao lado de gente generosa e competente.

Meu livro, um volume de contos e crônicas curtos, com algumas ilustrações minhas, foi inscrito na categoria 6 – destinada a estudantes do Ensino Médio.


Fonte da imagem: Acervo pessoal do autor.


Enviada a inscrição, chega a hora de esperar. Naquele ano, por exemplo, foram quatro ou cinco meses entre a inscrição e o resultado da avaliação.

Era o dia do meu aniversário quando eu recebi uma ligação do meu editor com a notícia: “seu livro foi aprovado!”. Eu estava numa loja encomendando uma moldura para um uma gravura que tinha ganhado da minha esposa: “A grande Onda de Kanagawa”, do japonês Hokusai (1760-1849). E foi, realmente, uma onda de felicidade.

Fui para a editora saber mais e tive minha segunda impressão sobre o processo: o MEC leva muito a sério a escolha das obras. Recebi um parecer do meu livro, feito por uma especialista, tão detalhado que nele constavam aspectos que nem eu tinha, conscientemente, colocado nos textos. Tudo – do tema dos textos às figuras de linguagem utilizadas, passando pela isenção de apologias e preconceitos – é analisado em detalhes, pensando na melhor formação dos jovens.

A partir daí, há o envio de documentos e comprovações – até onde acompanhei, o rigor e a honestidade dos processos são inquestionáveis. Os títulos participantes são disponibilizados num catálogo às escolas e bibliotecas, que fazem a escolha do que vão querer para seus estudantes.

Após as negociações, o MEC faz, finalmente, o pedido dos livros. As editoras, então, providenciam a impressão e fazem toda a logística de enviá-los para diversos pontos do país. No meu caso, o pedido foi de exatos 69.682 exemplares e mais um pedido complementar de 10.000, chegando a quase 80 mil livros!

Aqui divido minha terceira grande impressão sobre o edital: além, de beneficiar leitoras e leitores, o PNLD também ajuda autores e editoras – especialmente os iniciantes, como eu, e as casas pequenas, como a que me publicou. Chega a ser inacreditável pensar que meu primeiro livro atingiu essa tiragem.

Por fim, minha última e talvez mais forte impressão sobre a história toda: é fantástico participar de um programa tão abrangente e que transforma vidas. Porque os livros foram distribuídos a alunos e professoras que, infelizmente, sabemos que não teriam condições de comprá-los, e muitas vezes vivem em locais onde sequer existe uma livraria.

Até hoje, anos depois, recebo mensagens gentis de estudantes e professores que utilizaram meu livro em sala de aula ou o levaram para casa. Alguns me pedem ajuda para trabalhos valendo nota, outros dividem comigo momentos de descanso.

Pois, de tudo, o que de melhor o PNLD me trouxe, foram milhares de amigas e amigos por todo o país. Aqui de Curitiba pude me ligar ao Acre, ao Mato Grosso, à Bahia, ao Ceará... e nos identificamos nas “pequenas ocasiões que nos fazem quem somos”.

Escrever é um ato solitário, mas publicar é coletivo. Esta foi a mais poderosa e gratificante experiência da minha vida como escritor e recomendo, de coração, a todo mundo que um dia puder participar.

Viva os livros! Viva o PNLD!


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Bruno Palma e Silva possui MBA em Book Publishing (Labpub) e é bacharel em Design Gráfico (UFPR – Universidade Federal do Paraná). Atua no mercado editorial e de educação desde 2004 como designer, produtor editorial e autor. Também desenvolve, eventualmente, identidade visual, peças de design impresso e objetos de ensino digital. Iniciou em 2006 um blog, o Acepipes Escritos (http://acepipesescritos.blogspot.com/), cujos textos se tornaram leitura obrigatória no processo seletivo da Universidade de Brasília (UnB). Participa também de algumas revistas e antologias literárias.

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

POR QUE LER SAMANTA SCHWEBLIN?

POR QUE LER ELENA FERRANTE?

& POR QUE LER LÍDIA JORGE?


Verônica Daniel Kobs


A Revista Scripta Alumni estará presente no Seminário Internacional da UNIANDRADE. 

O artigo "O Terror no Ventre: Imaginários de Maternidade em Samanta Schweblin", de Raquel Riera (UNICAMP), publicado na revista Scripta Alumni v. 26, n. 1 (2023), investiga como a escritora argentina usa o gênero fantástico para reverter a imagem tradicional da maternidade. A análise revela como a literatura pode desafiar as normas culturais por meio de narrativas perturbadoras. Convidamos você a participar de uma conversa com Raquel Riera, para discutir mais detalhadamente esses temas.

A revista Scripta Alumni apoia esta ideia!



Em outro artigo, também publicado em 2023, na Scripta Alumni v. 26, n. 2, sob o título "Convergência e Divergência entre Linguagem e Mente em Dias de Abandono", Cesar Paulo da Silva (UEPG) analisa como Elena Ferrante usa a linguagem para realçar as mudanças psicológicas de seus personagens. Para saber mais sobre essa e outras características da obra de Ferrante, não perca o bate-papo com o autor do artigo.

A revista Scripta Alumni apoia esta ideia!



Publicado no v. 27, n. 1 (2024) da revista Scripta Alumni, o trabalho "Efêmero Destino de uma Instantânea Eternidade: Os Passos Errantes pelo Labirinto do Ser em A Manta do Soldado, de Lídia Jorge", de Thiago Franklin de Souza (UFRJ), aborda o modo como o texto literário da autora portuguesa combina vozes e memórias, para tratar da identidade e de suas complexidades. Se você gosta de literatura e tem interesse nesses assuntos, venha trocar ideias com o autor do artigo.

A revista Scripta Alumni apoia esta ideia!




As três atividades farão parte da seção "Literatura em Revista", na programação do evento internacional que será realizado pela Uniandrade, com apoio da Florida University of Science and Theology, entre os dias 16 e 18 de outubro de 2024. Não dá pra perder!

Para acessar a programação completa do evento e fazer sua inscrição, siga o link:

https://teorialiterariauniandrade.blogspot.com/2024/08/centro-universitario-campos-de-andrade.html


* Todas as imagens foram produzidas com recursos do Canva Editor AI. Fontes: <br.freepik.com>, <capeiaarraiana.pt> e <em.com.br>. 


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Verônica Daniel Kobs: Pós-Doutorado em Literatura e Intermidialidade (UFPR). Professora e pesquisadora de Literatura e Tecnologia Digital. Coordenadora dos cursos de Mestrado e Doutorado em Teoria Literária da UNIANDRADE. Idealizadora do blog Sarau Literário.

terça-feira, 10 de setembro de 2024

ENTRE AS MARGENS DE GUIMARÃES ROSA:

ENTREVISTA COM GILSON DE BARROS

                                                             

Gilson de Barros

Nathalia Ribeiro e Fernandes


No post de hoje do blog Sarau Literário temos a entrevista com o ator teatral Gilson de Barros que atualmente está com adaptações das obras de Guimarães Rosa: 


Fonte da imagem: Acervo pessoal do entrevistado.


Nathalia: Olá, Gilson. Primeiro gostaria de agradecer seu aceite em conceder entrevista ao blog Sarau Literário.

Gilson: Eu que agradeço o convite!

Nathalia: Bom, como você conheceu a obra de Guimarães Rosa e qual foi a primeira sua primeira leitura dele?

Gilson: Creio que eu deveria ter 17 anos e participei de uma peça chamada “Imagens dos sertões” e era uma colagem de textos, que incluía um trecho do julgamento de Zé Bebelo. Na época eu comprei o livro e li só o julgamento. Quando somos jovens, não lemos muito, mas como eu tinha o livro (Grande sertão: veredas), com o tempo li todo. Esse primeiro contato foi muito especial. Já reli algumas vezes o livro, mas a primeira vez foi muito especial. Eu tinha por volta de 17 anos e não li o livro completo. Só aos 20 e poucos anos, li todo.

Nathalia: Foi um contato bem jovem. Interessante! E depois que conheceu a obra de Rosa, de onde surgiu a ideia de fazer a adaptação?

Gilson: Bom, eu me aposentei. Eu trabalhava na prefeitura do Rio de Janeiro, na Secretaria de Cultura e todo ator que se aposenta quer fazer seu monólogo e viajar. Ai eu pensei no Grande sertão: veredas, que foi um livro que eu já tinha contato sempre, mas eu não tinha ideia do recorte que iria fazer. O que eu fiz foi baixar um PDF e tudo que eu tinha marcado, fui colocando no arquivo miscelânea e partir desse arquivo é que eu comecei a ler na internet vários trabalhos acadêmicos sobre o livro e ai surgiu a ideia de fazer os “amores”, que foi a primeira adaptação. Tudo que era possível extrair sobre o tem amor, eu extraí do meu arquivo miscelânea e montei a primeira adaptação. Com as outras adaptações foi da mesma forma, as ideias foram surgindo a partir da leitura do meu arquivo e de trabalhos de mestrado e doutorado. Assim, que vou construindo a dramaturgia.

Nathalia: Assim surgiu a primeira adaptação que você chamou de “Riobaldo” ne?

Gilson: Isso! Ela tem a temática “amores de Riobaldo” e intitulei com o nome do personagem.

Nathalia: E depois vieram outras duas...

Gilson: Eu tenho duas prontas: “Riobaldo”, que foi a primeira e a segunda que é o recorte da temática bem e mal, que é “O diabo na rua, no meio do redemoinho” e a terceira é “O julgamento de Zé Bebelo”, que fala sobre a temática do jagunço, do que é o jaguncismo no Brasil. Essa não estreei. Vou estrear em outubro em São Paulo.

Nathalia: Pois é. Citei três, pois tive o privilégio de ver um pouco desse processo de criação da terceira e participei de uma leitura que você fez. Das duas que já estão em cartaz, qual você acha que é mais bem recebida pelo público?

Gilson: Eu acredito que “Riobaldo”, pois ali tem tudo. É um resumo do livro e trata da temática “amor” que não tem como não gostar. As outras, foi por conta do trabalho de continuidade, mas sem dúvida “Riobaldo” o público gosta mais. Mas eu, Gilson, acho que “O diabo na rua, no meio do redemunho” muito mais interessante. Me deu mais trabalho de pesquisa. E a terceira vou sentir o público quando estrear. Espero que também seja bem recebida.

Nathalia: Tenho certeza de que será, pois você é um excelente ator e tem amor pela obra do Rosa. Obrigada pela entrevista e muito sucesso na estreia.

Gilson: Eu que agradeço, querida! Conte comigo sempre!


Fonte da imagem: Acervo pessoal do entrevistado.


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Gilson de Barros é ator e funcionário público aposentado. Atua no Brasil todo com as adaptações das obras de Guimarães Rosa e peças de outras temáticas. Participa de clubes de leitura sobre a obra do autor mineiro.

Nathalia Ribeiro Fernandes é doutoranda pelo PPG em Teoria Literária da UNIANDRADE, pesquisadora da obra de Guimarães Rosa e é mediadora do Clube de Leitura Travessia, onde conheceu o ator.

Nota da entrevistadora: Na época da entrevista (agosto de 2024), Gilson estava em cartaz com as duas adaptações em Niterói. Para conferir a programação atual, basta acessar a página do Instagram do ator, em @gilsondebarrosator.

quarta-feira, 4 de setembro de 2024

OSMARINA FERREIRA TOSTA:

MÃE, AVÓ E ESCRITORA NAS HORAS LIVRES

 

Osmarina Ferreira Tosta

 

Cursei a faculdade de Letras com o desejo de ser professora, cheguei a realizar estágios em escolas e me identificar, mas não permaneci na sala de aula. Segui ensinando de forma particular, língua portuguesa e língua inglesa, para alunos da educação básica.

Ingressei no mercado editorial como estagiária no setor de iconografia, no qual colecionei aprendizados para, mais tarde, aplicar nas outras etapas do editorial. Estou há cerca de 25 anos vivenciando a produção de materiais didáticos.

Já trabalhei na produção de livros didáticos para o Programa Nacional do Livro Didático – PNLD, destinado a escolas públicas, materiais de sistemas de ensinos, para escolas privadas e, materiais didáticos, para o ensino superior. Nesse tempo, atuei como iconógrafa, editora e gestora, de equipes e processos editoriais.

Atualmente trabalho no setor de iconografia, sendo responsável por direitos e permissões de conteúdo para utilização em materiais didáticos multimídia.

No meio editorial, a produção de livros se faz com várias etapas, uma depende da outra para acontecer, todas são fundamentais e convergem para o nascer do livro. A etapa da iconografia corresponde, de modo geral, à verificação de Direitos e permissões, ação que é realizada pelo profissional iconógrafo. Este é, sobretudo, o responsável por identificar os conteúdos de terceiros, protegidos pela Lei do Direito Autoral (Lei n. 9610/1998) e buscar as permissões, para assegurar a reprodução de acordo com a lei.

O gosto pela produção de materiais didáticos impulsionou-me a produzir meus próprios livros, um sonho de criança, que aguardei uma oportunidade para realizar. Com a chegada dos netos, resgatei o costume de escrever sobre o cotidiano.

Na convivência e momentos de diversão com eles, uma das brincadeiras era contar histórias, às vezes inventadas ou criadas no instante. Diante disso pensei: Por que não tirar o sonho da gaveta e me tornar uma escritora? Então dei início ao projeto do primeiro livro. Observava as crianças e anotava tudo no bloco de notas, para depois virar história.

Como autora, produzi 2 manuscritos de literatura infantil, um deles foi finalizado e publicado no mês de agosto de 2024. Intitulado Dino e Ben, uma amizade diferente, destinada ao público infantil, pela Editora Inverso de Curitiba. A narrativa dessa obra traz temas como amizade e respeito às diferenças.

 

Fonte da imagem: https://static.wixstatic.com/media/831b77_687783823fbc49e0a5fc96288c6be1d6~mv2.jpg/v1/fill/w_420,h_420,al_c,q_80,usm_0.66_1.00_0.01,enc_auto/831b77_687783823fbc49e0a5fc96288c6be1d6~mv2.jpg


Fonte da imagem: Foto cedida pela autora. Acervo pessoal. 


Para quem desejar adquirir o livro, segue o link da Editora: 

https://www.editorainverso.com.br/pagina-de-produto/dino-e-ben-uma-amizade-diferente

A segunda obra, Menina ou mola, encontra-se em fase de produção editorial, com previsão de lançamento para o ano de 2024.

 

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Osmarina Ferreira Tosta é graduada em Letras Português/Inglês, especialista em Literatura Brasileira e, mais recentemente, autora de literatura infantil. Atua como iconógrafa no Centro Universitário Uninter. 

terça-feira, 27 de agosto de 2024

Nesta semana, o Blog Sarau Literário divulga a crônica escrita por uma de nossas doutorandas. Segundo a própria autora, o texto foi inscrito no Concurso Off Flip e ficou entre os finalistas.


Fátima Ortiz. Foto de Eli Firmeza. Disponível em <https://www.plural.jor.br/noticias/cultura/para-fatima-ortiz-com-50-anos-de-palco-a-experiencia-nos-torna-mais-realistas/>.



CONVERSA CRÔNICA


Fátima Ortiz

 

Eu própria, cronista um tanto famosa, confabulava comigo mesma: seria a crônica um gênero menor? Pergunto, me valendo da lembrança da conversa com uma servente da nossa escola de teatro. Eu sempre fascinada por gente simples, fiquei de cara, quando ela me disse, no meio das vassouras e rodos pendurados em ganchos, que o gênero que ela mais amava era a crônica! – É mesmo Laurinda? Que massa! Me explica vai. – Ué não pode? Gosto, porque crônica fala da gente sem muito lero-lero e eu me vejo caminhando na história junto com quem escreve.  Sim Laurinda o cronista é um flaneur, um andarilho. – Também acho, ela disse, e continuou  Um vagamundo né? Não fosse os cronistas as cidades e suas praças, os ônibus saindo gente pelos vãos e o brilho das lógicas daqueles que só tem a roupa do corpo passariam batido. Esses raciocínios fazíamos as duas, enquanto sentíamos que nossas distâncias sociológicas se aproximavam misturadas ao odor dos detergentes e panos úmidos. Laurinda, sabíamos era alcoólatra, segunda-feira era um dia difícil para ela, por isso arregalou os olhos sonsos e líricos quando eu disse:  vamos passar um café? Convidei, mas, ela que fez tudo. Enquanto o cheiro do café ia entorpecendo o ar da cantina, com desenvoltura ela me contava, meio em ritmo de fluxo de consciência, o que acabara de acontecer  Mestra escuta essa hoje quando cheguei os mendigos já estavam limpando as remelas nas paredes aí fora aquele de sempre ficou louco quando me viu já te trago uma água eu falei abri a torneira ich o registro desligado sem chances espera o cara quis entrar eu sei que não devia deixar quando olhei direito ele tinha sangue na camisa não posso fazer nada nem vou mexer nisso ( quer açúcar ah! não a mestra toma amargo) (parênteses meu) o homem saiu correndo e veio mais uns dois atrás eu bati a porta e só fiquei escutando as baixarias ... Parou de repente e bebericou o café como uma dama.  E daí? o que que rolou Laurinda?  Escreve você mestra uma continuação. Ela continuou falando enquanto empapava de geleia a bolacha de água e sal.  A escrita por certo, fica mais real e doce que essa vida patética desses pobres diabo que nem sabem porque estão vivos. Eu brinquei – Ser ou não ser eis a questão? E ela continuou  Será mais fácil suportar as flechadas da fortuna ou remar contra um mar de escombros e vencer.  Nossa ganhei o dia hoje, Laurinda! Eu disse, e ela  Então escreve essa crônica, mas põe um ar de poesia pra não correr o risco de dizerem que crônica é um gênero menor.


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Fátima Ortiz é atriz, diretora teatral, dramaturga, arte-educadora e produtora. Mestra em Teoria Literária pela UNIANDRADE e doutoranda na mesma instituição.


quinta-feira, 22 de agosto de 2024

FLORIDA UNIVERSITY OF SCIENCE AND THEOLOGY RECEBE PROFESSORAS DA UNIANDRADE NO CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO, TECNOLOGIA E DESENVOLVIMENTO HUMANO


Verônica Daniel Kobs

(Com depoimentos dos participantes do evento)

 


 Fonte da imagem: Canva IA Generator

 

No período de 6 a 8 de agosto de 2024, a Florida University of Science and Theology (FUST) realizou o Congresso Internacional de Educação, Tecnologia e Desenvolvimento Humano (CIET-DH). O convite para que os programas de Mestrado e o Doutorado em Teoria Literária da UNIANDRADE participassem do evento chegou em julho, quando recebi mensagem da professora Déborah Oliveira (FUST). Agendamos uma reunião on-line para o dia seguinte e, naquela ocasião, recebi a prazerosa tarefa de fazer a fala de encerramento, no CIET-DH. Apesar de saber que isso representava uma grande responsabilidade, aceitei o desafio.

No mesmo dia, combinamos que outros professores da UNIANDRADE também participariam do evento, debatendo a palestra de abertura e ofertando um minicurso. Logo após a reunião, conversei com as professoras Camila Marchioro e Greicy Pinto Bellin, que imediatamente aceitaram participar do congresso. Todas nós estávamos cientes de que, nessa oportunidade, estaríamos dando início à parceria institucional, que, felizmente, não ficaria restrita apenas a documentos e assinaturas.

Para que os alunos da UNIANDRADE também fizessem parte desse intercâmbio de ideias, a FUST providenciou cupons de desconto que foram distribuídos prontamente, entre nossos mestrandos e doutorandos. Estávamos a poucos dias do encerramento do prazo para submissão de trabalhos, mas o projeto mobilizou a todos, inclusive alguns orientadores, que interromperam suas férias para auxiliar os alunos. O esforço valeu a pena, porque, no último dia do evento, o Prof. Dr. Matusalém Alves Oliveira, anfitrião das três noites, anunciou números que comprovaram o imenso sucesso alcançado pela FUST, durante o congresso: mais de 400 participantes e quase 200 trabalhos submetidos!

Foram três dias repletos de atividades: palestras, mesas-redondas, minicursos e apresentações culturais, as quais completavam a programação de maneira exemplar, ao associar a arte com a diversidade e a com a educação.

No dia 6 de agosto, a palestra de abertura, intitulada “As tecnologias da informação e comunicação como fator de inovação para a educação inclusiva e social”, foi proferida pelo Prof. Dr. José Antonio Torres González, catedrático da Universidade de Jaén, na Espanha. Posteriormente, a Profa. Dra. Camila Marchioro, do Centro Universitário Campos de Andrade (UNIANDRADE), debateu alguns dos temas apresentados pelo palestrante, à luz de conceitos relacionados a Políticas da Subjetividade, linha de pesquisa que abrange os projetos de pesquisa desenvolvidos pela docente, no Mestrado e no Doutorado em Teoria Literária da UNIANDRADE.


Fonte da imagem: Canal oficial da FUST no YouTube.

 

Assista à palestra e ao debate na íntegra, acessando este link: https://www.youtube.com/watch?v=X5L78DOiryo.

Fechando o segundo dia de congresso, o Reitor e professor da FUST, Dr. Washington Luiz Martins da Silva, proferiu a palestra “O dilema do professor entre a ética e política para o desenvolvimento humano frente aos impasses gerados pelo trilema: globalismo, soberania e mundialismo democrático”. Aprofundando uma discussão atual e necessária, o professor encantou a todos, demonstrando extremas eloquência e expertise.

 

Fonte da imagem: Canal oficial da FUST no YouTube.

 

Para ver a palestra ministrada pelo Reitor e professor da FUST, siga este link: https://www.youtube.com/watch?v=WMQYOflE31I.

Ressalto, ainda, que o Reitor da FUST foi extremamente participativo nas atividades do evento, tendo assistido a todas as palestras e atividades culturais. Inclusive, após a minha palestra, fiquei honrada com os comentários feitos por ele, os quais considerei como o maior elogio que já recebi, em 31 anos de profissão. Obrigada por isso, professor Washington!

Na tarde do dia 8 de agosto, a Profa. Dra. Greicy Pinto Bellin, da UNIANDRADE, ministrou o minicurso “O mercado digital na área de Educação: tecnologia e desenvolvimento humano em uma perspectiva sistêmica”. Com dezenas de participantes, a atividade motivou questionamentos e considerações a respeito do novo panorama cultural e educacional desencadeado pelos avanços tecnológicos recentes.

 

Fonte da imagem: Canal oficial da FUST no YouTube.

 

Para ver o minicurso e ficar por dentro das novidades, no contexto escolar e no processo de aprendizagem, basta acessar o link: https://www.youtube.com/watch?v=WSYv_n45zRg

Fechando o congresso, na noite do dia 8 de agosto, ministrei a palestra “Entre a letra e o pixel: autoria, leitura e Educação digital”. Contemplando algumas das habilidades e competências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), apresentei os principais desafios que a tecnologia digital apresenta a educadores e alunos. Além disso, destaquei o percurso evolutivo do leitor, que, nas últimas décadas, vem acumulando funções, e tentei mostrar comportamentos desencadeados pela tecnologia digital e que demandam mais atenção da sociedade em geral.

 


Fonte da imagem: Canal oficial da FUST no YouTube.

 

Para acompanhar essa palestra na íntegra, acesse o link: https://www.youtube.com/watch?v=nYJv9t6VBO4. Ao final da minha fala, no chat do YouTube, a Profa. Ma. Juliana Almeida, da FUST, registrou o que a realização do CIET-DH representou, nessa nova parceria institucional: “FUST e UNIANDRADE somando em qualidade para o ensino”. Além disso,em uma conversa via e-mail, depois do congresso, a professora Juliana fez referência à “participação dos profissionais de alta qualidade e rigor acadêmico que representaram a UNIANDRADE” no congresso.

Também após o evento, a Profa. Esp. Ana Vitória Imperiano, da FUST, que orquestrou com maestria todas as atividades do CIET-DH, parabenizou a UNIANDRADE, ressaltando a qualidade e a intelectualidade que, nas palavras dela, ficaram evidentes nas contribuições que as professoras Camila, Greicy e eu oferecemos ao evento.

Retribuindo os elogios que recebemos, registro, aqui, as calorosas recepções do Prof. Dr. Matusalém Alves Oliveira, anfitrião oficial do evento, e do Coordenador dos Programas de Mestrado e Doutorado da FUST, Prof. Dr. Fábio Alves Gomes, que, diariamente, recebiam congressistas e palestrantes com entusiasmo contagiante.

Agradeço especialmente às professoras Camila Marchioro e Grecy Pinto Bellin, que não apenas aceitaram o convite na mesma hora como se engajaram nos preparativos das atividades que desempenharam com excelência, e aos alunos e alunas da UNIANDRADE que participaram do CIET-DH, alguns como ouvintes, outros submetendo trabalhos e todos registrando sua presença e seus comentários nos chats do YouTube, durante todas as atividades do congresso.

Por fim, todos nós, da UNINDRADE, agradecemos à FUST, pelo convite e pela acolhida, pois nossa participação no CIET-DH superou todas as expectativas e nos permitiu constatar que o futuro é, de fato, promissor. Inclusive, em outubro deste ano, já temos novo encontro marcado, no V Encontro Internacional, que contará com a fala do Reitor da FUST, Prof. Dr. Washington Luiz Martins da Silva, na palestra de abertura, e com a participação do Prof. Dr. João Muanza, da mesma instituição, na noite do primeiro dia de evento.


Confira, a seguir, os depoimentos dos ilustres participantes do CIET-DH, os quais acabei de mencionar em meu relato:

“Tive a alegria de participar como debatedora na palestra de abertura do Congresso Internacional de Educação, Tecnologia e Desenvolvimento Humano na qual o professor Dr. José Antonio Torres González nos brindou com uma profunda reflexão sobre o papel das TICs na promoção da educação inclusiva e social. Professor José salientou que o desafio reside na educação, não na tecnologia e  ressaltou a importância de focar nos potenciais de aprendizagem, adotar metas realistas e transformar a tecnologia em ferramenta de aprendizado. Com o debate, pude concluir que esses princípios se aplicam à inclusão em todas as esferas e que as TICs podem ser utilizadas em diferentes ambientes para uma melhoria na qualidade de vida de muitas pessoas. Assim, minha participação no evento permitiu maior contato com uma área de meu interesse e fomentou um movimento positivo de pesquisa e engajamento nela.” (Professora Camila Marchioro ― UNIANDRADE)

 

“Entre os dias 6 e 8 de agosto de 2024, tive o prazer de participar do CIET-DH, organizado pela FUST, e fiquei verdadeiramente maravilhada com o que vi. As palestras foram muito estimulantes e trouxeram debates muito atuais sobre os temas do congresso. Destaco, em especial, a mesa-redonda sobre a religiosidade na contemporaneidade, que contou com palestrantes muito lúcidos a respeito do assunto. No dia 8 de agosto, ministrei um minicurso sobre o tema educação, mercado digital, tecnologia e desenvolvimento humano, o qual foi especialmente gratificante para mim, pois recebi muitas manifestações de apreço por parte dos participantes, além de comentários muito interessantes sobre o tema que apresentei. Gostaria de acrescentar que a organização do evento foi primorosa, bem como todas as informações sobre as atividades, enviadas sempre com antecedência. Deixo registradas as minhas congratulações e votos de futuros eventos igualmente estimulantes!” (Professora Greicy Pinto Bellin ― UNIANDRADE)

 

“Está de parabéns a FLORIDA UNIVERSITY OF SCIENCE AND THEOLOGY, pela realização do CIET― Congresso Internacional de Educação, Tecnologia e Desenvolvimento Humano, ocorrido na primeira semana de agosto de 2024.Estamos todos os organizadores, palestrantes e participantes no mundo inteiro: dos meios acadêmicos e intelectuais. Sobretudo fazendo ser importante destacar a participação da UNIANDRADE ― conveniada com a FUST― quando tivemos a presença honrosa no campo das Letras e das Artes, da Doutora Verônica Kobs, coordenadora dos Programas de Mestrado e Doutorado em Teoria Literária dessa instituição paranaense.

Ao investigar a ótica da literatura integrada às novas tecnologias na educação, ela interdisciplina linhas básicas e estratégicas para o ensino, atenuando sobremodo a liberdade da ação da tecnologia como favorecedora de tornar todos imageticamente escritores, produtores em épocas de espírito empreendedor e de inovação. Excelente presença que certamente o aprendizado dos participantes foi ampliado com a rica interpretação e consistência científica. Novos eventos virão nessa integração interinstitucional!” (Doutor Washington Luiz Martins da Silva Reitor da FUST)

 

“Organização de e-books, palestras, minicursos e apresentações culturais resumem o momento científico e acadêmico ocorrido no Primeiro Congresso Internacional de Educação, Tecnologia e Desenvolvimento Humano ― CIET-DH, recém-promovido pela FLORIDA UNIVERSITY OF SCIENCE AND THEOLOGY, disponibilizado a todos os continentes o que poder-se-ia dizer de estado da arte no tema literário e tecnológico. Ademais de muito motivador, a pesquisadora Kobs ― com clareza de fala e organização visual ― ofereceu, qualitativamente, leques multidisciplinares a todos os participantes.

Na qualidade de professor, pesquisador e vice-líder de grupo de pesquisa do CNPq, venho me congratular com a nossa parceira UNIANDRADE, quando teve a oportuna e inteligente ideia de nos trazer a Doutora pesquisadora em Teoria Literária, Doutora Verônica Kobs, no intuito de proferir uma conferência, cujo conteúdo serviu de corpus à compreensão de que com as novas tecnologias a literatura, e o conhecimento como um todo se fortalece, porque abre inclusão a todas as camadas de classes, cultura e povos, antecedendo em suas palavras todas as peripécias e hilaridades que formam as chamadas variedades de um mundo conectado feliz, para nos comprovar toda manifestação artística de real grandeza interior sem fronteiras”. (Doutor Matusalém Alves Oliveira Vice-líder de Grupo de Pesquisa do CNPq)

 

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Verônica Daniel Kobs: Pós-Doutorado em Literatura e Intermidialidade (UFPR). Professora e pesquisadora de Literatura e Tecnologia Digital. Coordenadora dos cursos de Mestrado e Doutorado em Teoria Literária da UNIANDRADE. Idealizadora do blog Sarau Literário.