CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS
Josiel dos Santos Lima
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Josiel dos Santos Lima é mestre e doutor em Teoria Literária pela UNIANDRADE e atua como professor e contador de histórias.
CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS
Josiel dos Santos Lima
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Josiel dos Santos Lima é mestre e doutor em Teoria Literária pela UNIANDRADE e atua como professor e contador de histórias.
UMA CONFISSÃO ABSURDA: MISTÉRIO, LOUCURA E
MORTE EM A CONFISSÃO DE LÚCIO, DE
MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO
Greicy
Pinto Bellin
Em 26 de abril
de 1916, às 20 horas em ponto, José Araújo encontra o poeta e ficcionista
português Mário de Sá-Carneiro deitado em sua cama no bairro de Montmartre,
Paris. Ao perguntar se ele estava com dor de cabeça, recebe como resposta que
ele havia acabado de tomar cinco frascos de estricnina e que estava, portanto,
aguardando sua própria morte. Araújo se desespera diante da terrível revelação
e sai em desabalada carreira a fim de procurar um médico. Ao retornar ao quarto
com dois enfermeiros, presencia a cena mais horrível de toda a sua vida. Em
cima da cama, Sá-Carneiro agonizava, todo contorcido, as mãos enclavinhadas,
caminhando rumo à morte inexorável apenas vinte minutos após a chegada do
amigo.
Crédito
da imagem: https://www.amazon.com.br
A cena seria
relatada pelo próprio Araújo em carta a Fernando Pessoa, outro grande amigo de
Mário de Sá-Carneiro, que decretou o final de sua existência com apenas 26 anos
de idade. Grande expoente do Modernismo português, mais especificamente da
Geração de Orfeu, à qual Pessoa também estava relacionado, Sá-Carneiro nasceu
no seio de uma família abastada e ficou órfão de mãe muito cedo. Estudou em
Coimbra e depois na Sorbonne, onde passou a levar uma vida boêmia regada à
angústia característica de quem tem a alma dilacerada, estado este que se
refletiu em sua obra, mais especificamente em A confissão de Lúcio, publicada em 1914. O escritor traz, nesta
novela, os principais temas que o acompanharam em vida, juntamente com a
perturbação de alma manifesta no estabelecimento da triangulação que consistirá
no mote central da narrativa. Esta se inicia com Lúcio alegando inocência
diante do crime pelo qual fora mantido na prisão por dez anos, juntamente com
uma reflexão sobre o estatuto da ficção, o que ganhará pleno sentido quando
descobrirmos que Lúcio é dramaturgo e que seu amigo Ricardo de Loureiro é
ficcionista. O introito se apresenta como a antessala a partir da qual se
descortinará, diante dos olhos do leitor, uma narrativa fantástica de horror,
mistério, psicose e morte, em que se destaca o corpo da mulher como veículo
para a realização de perversões sexuais, em verdadeiros rituais que trazem não
apenas as obsessões dos personagens, mas os dilemas de artistas em permanente
conflito com seus próprios desejos.
A narrativa se
caracteriza por uma atmosfera onírica em que o nível de alucinação vai se
intensificando e impactando o corpo e afetos do leitor, que se sente cada vez
mais angustiado diante das intensas sensações experimentadas por Lúcio diante
de seu envolvimento com Marta, esposa de Ricardo. Os momentos finais do relato
de Lúcio caracterizam-se pela crescente sensação de dissociação de uma
personalidade que se encaminha para uma trágica totalidade por meio do desfecho
trágico em que descobrimos que Ricardo e Marta eram, ao fim e ao cabo, a mesma
pessoa: “Quem jazia estiraçado junto da janela não era Marta - não! - era o meu
amigo, era Ricardo… E aos meus pés caíra o seu revólver ainda fumegante!”
Percebe-se, linha a linha, uma forte semelhança com O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, mais especificamente no que diz respeito ao culto da beleza masculina, e na percepção da figura feminina como objeto e acessório a serviço não apenas da materialização de desejos inconfessados, mas dos dilemas experimentados pelos próprios artistas diante de sua condição. Foi por meio do retrato da bizarra triangulação entre uma misteriosa mulher e dois artistas que Mário de Sá-Carneiro, dentro da atmosfera decadentista que permeava a produção literária europeia em princípios do século XX, conseguiu dar vazão às inquietações da alma dilacerada pela constante sensação de inadequação que o levou, dois anos depois da publicação de A confissão de Lúcio, a optar pelo triste suicídio assistido por José Araújo em uma melancólica noite parisiense.
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Greicy Pinto Bellin é professora do PPG da UNIANDRADE. É pós-doutora em Letras pela Universidade Estadual de Campinas e pela UFPR. Doutora e mestre em Estudos Literários também pela UFPR, assim como graduada em Letras pela mesma instituição. Além de professora titular do programa de Pós Graduação em Teoria Literária da UNIANDRADE também é tradutora e autora.
INTERMIDIALIDADE
EM FOCO
Mail Marques de Azevedo
A publicação do quarto volume da série
dedicada aos estudos da Intermidialidade assinala vitória memorável do projeto desenvolvido
pelo Grupo de Pesquisa Intermídia, sob a competente regência de Thaís Flores
Nogueira Diniz, que destaca seus objetivos: “Trazer ao público
brasileiro/lusófono, pesquisadores e estudantes, pensamentos significativos de
nomes renomados nesta área”.
À primeira antologia, Desafios da
Arte Contemporânea 1, seguiu-se de imediato o volume 2, publicados
em 2012. Em ambos, tradutores filiados ao Grupo Intermídia disponibilizaram aos
interessados textos muitas vezes de difícil acesso, de autoria de Irina
Rajewsky, Liliane Louvel, Jürgen Müller, Carol Duncan, Karl Prümm, Chiél
Kattenbelt, Hans Lund e Claus Clüver, entre outros.
O volume 3 Escrita, som, imagem: natureza
em foco, de 2022, resultou da realização do Colóquio
Internacional Escrita, Som, Imagem IAWIS/AIERTI, nas instalações das
Faculdades de Ciências Humanas da UFMG. A variabilidade e ineditismo das
sessões de participação criativa – produções coletivas e individuais, que
utilizaram em sua confecção mídias diversas: música, pintura, instalações,
performances, mídias digitais e outras – focadas no tema do evento, a relação
com o mundo natural, foram alvo de elogios dos pesquisadores internacionais
presentes Jorgen Bruhn, Irina Rajewsky, Sophie Aymes e Lauren Weingarden,
colaboradores habituais dos componentes do Intermídia, com quem
estabeleceram sólidos laços de amizade.
Constitui caso exemplar a parceria
entre o Grupo Intermídia e Claus Clüver, cujo texto referencial, “De ‘Iluminação
mútua das artes” a ‘Estudos de Intermidialidade’”, abre o quarto volume de
registros testemunhais das atividades do Intermídia. A relação de Clüver com o Brasil,
porém, antecede de muito a atual publicação, pois é casado com uma brasileira,
a quem conhecera quando ambos faziam estudos avançados de Teoria Literária, nos
idos de 1950. Desde então conta várias estadas no Brasil como professor
visitante na PUC-SP, na UFMG e na USP, onde lecionou Teoria Literária e
Literatura Comparada, no ano de 1996.
Na conclusão do artigo mencionado
acima, Clüver ressalta sua íntima ligação com universidades brasileiras: “Posso
ter sido o primeiro a ministrar um curso de pós-graduação sobre relações
interartes no país, quando ofereci a disciplina na Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (PUC-SP) em 1976, a convite de Haroldo de Campos e Décio
Pignatari”. Atribui, ainda, importância capital ao seu envolvimento na formação
do Grupo Intermídia, na Universidade Federal de Minas Gerais, “presidido
com maestria por Thaïs Flores Nogueira Diniz, com participantes de Letras,
Música, Belas Artes e Comunicação”.
Embora não atinjam a relação de
apadrinhamento entre Clüver e o Intermídia, outros colaboradores fiéis
ressurgem no volume publicado pelo grupo em 2024. Na Parte I – Cinema e adaptação,
Jorgen Bruhn; na Parte II – Palavra e imagem, lá está Claus Clüver
revisitando um velho tópico, a écfrase; na Parte III – Transmidia(lidade), Irina
Rajewsky desafia os leitores a combater a cegueira midiática da narratologia
(clássica) com o emprego de abordagens transmidiáticas.
Como membros do Intermidia, a
professora Brunilda Reichmann, nossa colega Franciele Nogozeki e eu mesma
emprestamos nossa despretensiosa colaboração de tradutoras para concretizar o
4º volume, com a versão para a língua portuguesa dos textos de Marie-Laure Ryan
e Claus Clüver, respectivamente.
Trata-se realmente de uma vitória
memorável do Intermídia, que obteve junto aos órgãos financiadores da
UFMG recursos para a publicação do livro em formato físico. Nossos cumprimentos
ao denodo e à dedicação de nossos companheiros e companheiras.
Em Curitiba, junho de 2024.
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Mail
Marques de Azevedo possui doutorado em Estudos Linguísticos e Literários em
Inglês pela Universidade de São Paulo (1999). Foi professora da Universidade
Federal do Paraná, de 1988 a 2007, e, atualmente, faz parte do corpo docente da
UNIANDRADE. Tem experiência na área de Letras, com ênfase em literatura de
minorias, atuando principalmente nos seguintes temas: gêneros autobiográficos,
literatura afro-americana e literatura pós-colonial.
OS ARREDORES DAS PALAVRAS
Dina Dominick
A publicação do meu livro de
estreia, em março de 2024, trouxe-me experiências que nenhum outro
acontecimento proporcionaria.
Fui feliz na escolha da Editora. A
Nauta fez um belo trabalho de edição e a interação com o editor chefe não
poderia ser melhor.
As demonstrações de apoio apareceram
logo após a revelação da capa nas redes sociais, e persistem. No evento de
lançamento, vi surgirem amigos de várias fases da minha vida, inclusive colegas
da escola primária. Tenho 59 anos.
Anunciam o recebimento do livro via
Correios, além de elogiarem a capa. É como se confirmassem junto à mãe a
chegada de uma criança em uma colônia de férias: “chegou bem, está seguro e vai
se divertir por aqui”.
Escrevi os contos de A Outra
Mulher sem ter em mente um leitor ideal. Aliás, eu me angustiava ao ouvir
autores afirmarem com muita segurança qual seria o perfil de seu público
leitor. Aos poucos, manifestações carinhosas de leitores com idades e personalidades
distintas me assaltam em várias situações qual nuvens de passarinhos,
pegando-me desprevenida.
As experiências mais marcantes
envolvem reações de pessoas que eu não contava como possíveis leitores dos
contos. Foi o que aconteceu quando uma amiga solicitou: “A mamãe quer um
também.” Sabendo que a senhora em idade avançada se encontrava bastante
fragilizada, argumentei: “Achei que você fosse ler pra ela o seu exemplar, ou o
da sua irmã.” Então, acertou-me a resposta inesperada: “Sim, vou ler pra mamãe,
só que ela insiste: quer o livro e quer te receber em uma visita breve”. A
declaração tocou-me profundamente durante dias. Vieram-me vestidos com estampas
florais e lábios tintos de vermelho. A senhora elegante nos servia o lanche na
casa dela nos trabalhos em grupo do ginásio.
Outro dia, ao chegar à academia de
Pilates, dona Mercês, 80 anos, cumprimentou-me assim: “Meu marido está lendo o
seu livro primeiro que eu. Ele disse: pergunta à sua amiga escritora por que o
senhor do conto Santiago não libertou o pássaro da gaiola.” Uma onda de ternura
cercou meu entendimento, enquanto eu afirmava: “Eu não havia atentado pra esse
detalhe, mas vou pensar sobre essa curiosidade”. Igualmente curiosa sinto-me ao
imaginar quem mais estaria lendo o livro, em quais situações, e quais efeitos a
leitura produziria.
A atenção também veio por parte de
uma amiga de Itamarandiba: “Minha mãe, de 93 anos, surrupiou seu livro da minha
cabeceira.” Eu quis saber: “Me conta se a dona Dica somente folheou o livro, ou
leu alguns contos.” A Maire respondeu: “Mãe leu tudinho. Nem me dava a bênção
quando eu pedia. E quando terminou, disse: muito agradável”.
Crédito da imagem: Acervo particular da autora.
Minha irmã relatou que a diarista
dela flagrou o livro sobre um móvel e comentou, após a leitura do conto "A Outra Mulher", que emprestou o título ao livro: “É a história de seu pai, não é,
Jacqueline?”.
O acolhimento do livro como objeto
de valor causou-me surpresa. Alguns dos textos já tinham sido divulgados em
periódicos, mas considero que eles alcançaram status superior uma vez agregados
aos demais pela materialização em papel.
Sobre o livro: “Nos 22 contos do
livro, o que encontramos é o cotidiano mineiro – muito caro ao coração dos
brasileiros – que, à medida que os fatos vão se desenvolvendo ao redor do
leitor, neles imerso, vai se abrindo ao pensamento reflexivo, à abstração e ao
universal por meio do simbólico, do insólito e, do extremo, do fantástico”.
(Extraído da legenda da publicação de @lucascafre).
É certo que minha escrita foi
influenciada pelo estilo de vários autores que admiro, mas, em maior grau, de
Júlio Cortázar e Guimarães Rosa.
Desapegar-me dos textos engavetados, alguns por mais de 10 anos, exigiu-me esforço, menos por temer o julgamento de quem os examinaria – empenhei-me na lapidação, buscando a sua maturidade –, e mais por eu ter adquirido o vício típico de quem guarda algo somente para si por tanto tempo. Mas a sugestão da guarda compartilhada já é uma realidade. Espero que as histórias continuem circulando.
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Dina Dominick é de Belo Horizonte, graduada em Letras pela UFMG. Produz conteúdo sobre literatura através do perfil no instagram @dinamariadominick. Tem contos publicados no jornal Relevo, na Revista Artes do Multiverso e em coletâneas da Editora Selo Off Flip. A Outra Mulher é seu livro de estreia.
CILKA: SOBREVIVÊNCIA, ESPERANÇA E RESILIÊNCIA
Laura Carolina Gusso Marques
O livro A Viagem de Cilka: baseado em
uma história real de amor, coragem e esperança, escrito por Heather Morris,
é um de muitos que retratam o horror e a crueldade que foram os campos de
concentração do governo do líder do Partido Nazista Adolf Hitler (1889-1945). O
que o diferencia dos demais é o foco na vida da protagonista Cilka, após o fim
da Segunda Guerra Mundial.
Fonte da imagem: https://m.media-amazon.com/images/I/81u50P3bwjL._AC_UF1000,1000_QL80_.jpg
Cecilia “Cilka” Klein foi tirada de
sua casa na Tchecoslováquia (em 1993, dividiu-se
em dois Estados: a República Tcheca e a República da Eslováquia) e
enviada para Auschwitz, quando tinha apenas 16 anos, em 1942. Como muitos
outros prisioneiros, teve apenas duas escolhas: sobreviver ou morrer. Quando o
campo de Auschwitz foi libertado pela URSS, ela foi condenada a quinze anos de
trabalho forçado pelo governo que a viu como espiã e colaboradora dos nazistas,
devido ao trabalho forçado que desempenhava no campo.
Ela foi enviada para um dos campos de
trabalho forçado na Sibéria, criados pelo revolucionário comunista Josef Stalin
(1878-1953), para aprisionar, principalmente, opositores políticos, mas, no
local, encontrava-se todo tipo de contraventor e, também, inocentes como a
personagem principal.
No caminho para esta nova prisão,
Cilka percebeu que a sua rotina não seria muito diferente do que era em
Auschwitz. A comida era escassa, os alojamentos precários, trabalho insalubre
nas baixas temperaturas da Sibéria e abuso por parte dos guardas e superiores.
A diferença, era que se o prisioneiro não falecesse, estaria livre quando sua
pena acabasse.
Conforme descrito por Morris e pelo
escritor Alexandr Soljenítsin (que também foi prisioneiro em Vorkuta), tanto
Stalin quanto Hitler tinham pensamentos parecidos, senão iguais, sobre os
trabalhos nos campos de concentração e de trabalho. Estes campos tinham como
objetivo eliminar pessoas, mas antes, extraíam tudo o que podiam delas através
do trabalho. Além da forma parecida como seus campos funcionavam, ambos
possuíam letreiros na entrada dos campos que consideravam como “motivadores”.
No caso de Hitler de que “o trabalho liberta” e, para Stalin de “O trabalho na
URSS é uma questão de Honra e Glória” e “Com punho de ferro, levaremos a
humanidade à felicidade”.
A autora traz, no livro, este outro
lado das consequências e problemas do pós-Segunda Guerra na União Soviética,
onde muitas pessoas que escolheram obedecer aos nazistas para não morrerem, ou
seja, que escolheram sobreviver, foram consideradas colaboradoras ou espiãs e
enviadas para as planícies da Sibéria.
Cilka nos mostra a força de todas as
mulheres que passaram pelos campos destes dois regimes e que, apesar de todas
as adversidades, encontraram forças para sobreviver e nunca perderam a
esperança de reencontrar seus familiares. Além disso, almejavam que um dia
iriam poder viver suas vidas sem ter outras pessoas ditando todos os seus
passos e ações.
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Heather Morris (1953-) é uma autora neozelandesa best-seller
#1 do New York Times. A autora é apaixonada por histórias de
sobrevivência, esperança e resiliência. Morris trabalhava em um hospital quando
conheceu Lale Sokolov, o tatuador de Auschwitz, que lhe disse que “talvez
tivesse uma história para contar”. Após esse encontro, Morris lançou o livro O
tatuador de Auschwitz, sobre
a vida de Lale. Em seguida, publicou mais dois livros sobre sobreviventes de
Auschwitz e, que de certa forma, conviveram com Lale: A viagem de Cilka e
Três irmãs. Em 2024, Morris lançou seu quarto livro: As irmãs sob
o sol nascente.
Laura Carolina Gusso Marques é formada em Administração, adora animais, música e é uma leitora voraz. Gosta de livros de ficção de todos os gêneros, mas tem uma queda por livros de romance que abordam sobre momentos históricos. Laura considera que é uma forma de adentrar melhor em como era a vida das pessoas, em determinada época, e por tudo que passaram, por uma perspectiva mais humana, e não apenas como narrativa dos acontecimentos em um livro de história.
ENTREVISTA COM O DR. JOSIEL LIMA: SENTIMENTOS
PÓS-DEFESA
Josiel dos Santos Lima
Nathalia Ribeiro e Fernandes
No post de hoje do blog Sarau Literário temos uma entrevista com o Doutor em Teoria Literária, Josiel Lima, que recém defendeu sua tese e vai contar um pouco para nós como foi essa experiência. A entrevista foi concedida à doutoranda Nathalia Ribeiro e Fernandes.
Josiel: No começo do mestrado em Teoria Literária, demorei um tempo para me adaptar, pois como sou graduado em história, não tinha conhecimento dos autores e termos técnicos da literatura. Foi bom porque aprendi muita coisa nova, tive que ler muitos livros para além dos que eram solicitados em sala, já que o que era de conhecimento básico dos graduados em letras, era desconhecido para mim. Já no doutorado, estava mais familiarizado e tudo o que li e estudei nas disciplinas tentava associar à minha tese.
Nathalia: Ah, então sua formação é em História. No nosso programa temos pós-graduandos de diversas áreas e isso enriquece muito o curso. Como surgiu a ideia do seu projeto de pesquisa?
Josiel: Depois do mestrado, me especializei em Contação de Histórias e Literatura Infantil. Nesse tempo conheci os livros escritos durante o período da Ditadura Militar pela autora de livros infantis Ruth Rocha. Achei muito interessante haver livros infantis que criticavam o autoritarismo de forma leve e divertida. Então, aqueles reizinhos mandões das histórias me chamaram a discutir sobre história e literatura infantil, sobre literatura de protesto e sobre a recepção dessas obras pelas crianças.
Nathalia: Que interessante! E sendo de outra área, qual a disciplina você considera que mais ajudou na sua pesquisa? Por quê?
Josiel: Foram
duas. A disciplina de “Imagem e Literatura” ministrada pela professora Célia
Arns, que contribuiu para as análises das ilustrações, e a outra foi “Metodologia
da Pesquisa” com a professora Greicy Bellin, na qual conheci as ideias do
teórico H. U. Gumbrecht sobre Stimmung e Produção de Presença,
e que foram fundamentais na interpretação das obras infantis. Essas ideias me
ajudaram a entender sobre o potencial que a literatura infantil possui para
tocar os leitores e causarem diferentes estados de humor.
Nathalia: Então foi muito enriquecedor! No geral, como foi a experiência toda
de cursar um doutorado em Teoria Literária?
Josiel: Foi muito positiva, gosto muito de literatura e li obras que talvez não fosse ler por não conhecê-las. Faltou um contato mais próximo com os colegas e professores por ter uma pandemia que impossibilitava as aulas presenciais. Por outro lado, pude participar de importantes congressos de forma virtual. Também apresentei um trabalho presencial em São Luís, talvez nunca viajasse para lá, mas o desejo de conhecer outras regiões aliado à necessidade de produzir e apresentar artigos possibilitou o estudo e o lazer. Também destaco as Oficinas de Contação de Histórias, que ministrei nos 4 anos de curso. Elas ajudaram a divulgar meu trabalho, a conhecer pessoas, interagir com colegas e professores, e muito mais. Foi uma experiência fantástica que além de me trazer enorme satisfação, me proporcionou uma bolsa de estudos da instituição.
Nathalia: Bom, como você defendeu recentemente, conte-nos como foi essa experiência. Como foi a ansiedade, a expectativa, a pós-defesa?
Josiel: A ansiedade sempre existe, mas meu orientador, Otto Winck, sempre me deixou tranquilo. Ele explicou tudo como iria acontecer, quem estaria na banca e o que esperar. Além disso, seria on-line e isso me deixava seguro. Eu tinha uma expectativa de que teria muita gente participando por ser virtual, mas o link chegou para mim apenas 13 minutos antes do início. Não sei o motivo, mas acho que a instituição deveria divulgar o link de acesso com mais antecedência para que possamos nos organizar e chamar familiares, alunos, professores e amigos para assistir. Não consegui avisar todo mundo, e nem meus pais assistiram a defesa, fiquei chateado com isso. Depois que tudo passou, me emocionei, fiquei muito feliz porque cheguei no lugar em que sempre sonhei.
Nathalia: E quais seus planos após entregar a versão final da tese?
Josiel: É claro que a gente pensa em dar voos mais altos como um pós-doc ou algum curso fora do país, mas no momento quero relaxar, pôr em prática o que aprendi nesses anos, aplicar algumas ideias nas escolas públicas em que leciono. Para este ano de 2024 quero aprender a tocar algum instrumento e me aperfeiçoar no inglês. Depois volto para os estudos acadêmicos, entendo que nossa formação é constante e devemos continuar a aprender sempre.
Nathalia: Sim. Também acredito que precisamos colocar nossa pesquisa em prática, o que nos faz aprender ainda mais. Muito obrigada pela disponibilidade e boa sorte com os planos futuros.
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Josiel
dos Santos Lima é mestre e doutor em Teoria Literária pela UNIANDRADE e atua
como professor e contador de histórias.
Nathalia
Ribeiro e Fernandes é mestra e doutoranda em Teoria Literária pela UNIANDRADE e
bolsista PROSUP-CAPES. Atua como professora de Literatura.
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Nota de esclarecimento: Sobre o fato citado no texto, de que o link de acesso à sala virtual foi enviado tardiamente ao aluno, a coordenação informa que está ciente desse problema, que a direção da IES já foi informada sobre isso e que foi solicitado à assessoria pedagógica (setor responsável pela divulgação e pela documentação das bancas de mestrado e doutorado) que os envios sejam feitos com uma antecedência de 7 a 10 dias em relação à data da banca.
UM LIVRO NASCE DE UMA IDEIA
Ana Lúcia Corrêa Darú
Um
livro nasce, assim como nascem os seres vivos: há uma fagulha inicial, que para
os seres vivos talvez possamos chamar de ‘concepção’, e para os livros talvez
possamos chamar de ‘ideia’. Livros e seres vivos, depois de um tempo de
maturação, surgem no mundo, singulares, com suas próprias teias de significado,
aparência, estrutura e temperamento. Um livro vem ao mundo com uma mensagem e
de certa forma, cada ser vivo também. E cada livro é especial e importante,
assim como cada ser vivo.
Em minha busca, descobri que a
totalidade das cartas (902) estavam publicadas pelo Museu Van Gogh e era lá que
eu iria buscar as informações de que precisava. Na verdade, minha ideia inicial
não era ler as 902 cartas, algumas com até nove páginas de conteúdo, na minha
ideia, eu achava que seria possível ler algumas cartas e conseguir algo com
elas, mas eu fui me apaixonando pelo dia a dia do pintor e não consegui ler ‘algumas
cartas’, eu li as 902 cartas, e mais 25 fragmentos de cartas encontradas que
fazem parte da correspondência do pintor. Nesse texto epistolar completo, uma
fonte primária de informação, Van Gogh registra suas ações, pensamentos,
leituras, observações de paisagens, ocorrências e dificuldades que enfrentava
para se relacionar com as pessoas e sobreviver como pintor. Durante a leitura,
fui organizando um desenrolar dos acontecimentos e fui constituindo, com os
relatos colhidos em sua correspondência, uma autobiografia ficcional onde o
próprio pintor vai contando sua história. Alguns trechos das cartas eu procurei
deixar para o leitor conhecer os próprios redemoinhos linguísticos que
constituíam os seus dias. Algumas informações estão em cartas escritas pelos
familiares e amigos do pintor. O livro Vincent
van Gogh: minha história dá uma chance de o leitor conhecer esse gênio das
artes visuais e ao pintor uma oportunidade de dar-se a conhecer. O livro, uma
ideia que levou dois anos para maturar, está à disposição em sites e
livrarias. Boa leitura!
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Ana Lúcia Corrêa Darú é Mestre em Teoria Literária pelo Centro Universitário Campos de Andrade (UNIANDRADE) e Doutoranda pela mesma instituição. Atua como parecerista, analista de projetos educacionais e editora de materiais didáticos para diversas editoras do Brasil. O livro Vincent van Gogh: minha história – a vida do pintor contada por ele mesmo é uma autobiografia ficcional do pintor Vincent van Gogh. A obra nasceu de uma lacuna que a doutoranda, Ana Lúcia Corrêa Darú, identificou, ao realizar suas pesquisas, quando da produção de sua dissertação.